É o clássico cliché da pornografia: o estafeta traz uma pizza, a mulher não tem dinheiro para a pagar e, juntos, chegam a um acordo. Mas este filme pega na situação sob o prisma do Marxismo e leva a ideia até às últimas consequências. Noções de moeda ou valor de mercado nunca foram tão sexy.
Uma mulher pede uma pizza mas, na hora de pagar, declara alegremente que não tem dinheiro suficiente e propõe ao entregador uma solução inusitada, típica dos filmes para adultos – a estética de bolinha vermelha de Make Me a Pizza é, desde logo, todo um programa. Porém, quando a esmola é grande, o santo desconfia, e o entregador reflete ponderosamente sobre o custo de produção de uma large meat lover’s pie – uma refeição e uma cadeia de valor, afinal. Pode o valor de troca ser medido por algo que não o vil metal? A paródia ou os direitos do trabalhador, Make me a Pizza revela como tudo se resume a uma transação comercial, se até uma inócua pizza pode encerrar uma eloquente alegoria sobre as trocas cada vez mais impessoais da sociedade de consumo. Em união de esforços, o casal improvável tenta romper com essa lógica e decide, simbolicamente, transformar-se, ele mesmo, na própria pizza (só vendo), tornando-se objetos de desejo um para o outro. Comida de lixo servida por motorizada, tudo ao gosto de porno para macho: a luxúria a que temos direito na “fase tardia”. We already are eating from the trash can all the time, diz o filósofo. (Jéssica Pestana)