Já alguma vez imaginaram que Jesus regressava como viajante interestelar que não permitia que ninguém morresse, todos o odiavam e dois irmãos faziam planos secretos para o destruir? Este filme imaginou.
No banger ‘All Night Long (All Night), de 1983, Lionel Richie cantava assim – “We’re going to
Party, Karamu, Fiesta, Forever”. Foquemo-nos então nas possibilidades de ‘fiesta,forever’.
Jesus 2 usa – inadvertidamente, quase de certeza – a premissa de uma ‘fiesta, forever’, numa
aventura libidinal-surreal e psicadélica passada numa dimensão futurista onde não se pode
morrer, o que é o mesmo que dizer, numa dimensão futurista onde já ninguém quer mais viver.
Dois piratas espaciais estão determinados em restabelecer algum sentido à sua existência e
acabar com a maldição da imortalidade. Para isso, terão que eliminar Jesus 2, o messias
maléfico responsável por todas estas ânsias existenciais. Tudo isto com Midnight Gospel e
Adventure Time vibes. Apesar de vivermos numa era de sequelas, prequelas, reboots,
remasters, universos partilhados e tudo o mais, o comité da Boca do Inferno está confiante que
é possível assistir e apreciar Jesus 2 sem ter visto Jesus 1. (Bruno Pereira)