O desaparecimento de um activista é o último caso da jovem e intrigante detective Smiley. De mangas arregaçadas, ela percorre uma França menos óbvia perseguindo o rasto do desaparecido, numa epopeia lo-fi sobre um lado B de uma geração e de um país.
Smiley é uma detective improvável: jovem, de ar cool e descontraído, dedica-se a investigar desaparecimentos (dos seus amigos, dos amigos dos outros) – são os fantasmas a sua gente. A partir de um caso aparentemente concreto, a investigação desdobra-se em encontros, relatos e pistas que se multiplicam e bifurcam, abrindo sucessivas linhas narrativas que nunca convergem totalmente. Entre Paris e paisagens mais remotas, a narrativa avança em deriva: cada resposta conduz a um novo enigma e cada figura encontrada parece transportar outra história consigo. No universo desta obra, que cruza diferentes registos em 16 mm, o quotidiano e o insólito coexistem sem fricção. À medida que a investigação se fragmenta e se reconfigura, Détective Smiley et les amis perdus transforma-se num percurso errante, encobrindo os seus próprios passos, anunciando falsas partidas – no melhor espírito de Rivette. (Cláudia Marques)