29 ABRIL — 09 MAIO 2027

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All-in IndieLisboa: Programação completa a céu aberto

A 22ª edição do IndieLisboa revela-se por inteiro, para assim terem tempo para navegar pelos 238 filmes e fazerem as vossas escolhas! Atenção que as bilheteiras abrem dia 17 de abril!

Competição Internacional

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On Becoming a Guinea Fowl

Um conjunto de obras à deriva, no bom sentido do termo, em trânsito entre lugares, físicos e mentais, e cujo destino original ficará, com certeza, pelo caminho. Lo que trajo la tormenta, do realizador argentino Miguel de Zuviría, apresenta-se no IndieLisboa em estreia mundial e narra uma separação interrompida por um fenómeno natural. Também em estreia mundial está Río abajo, un tigre, do espanhol Víctor Diago, onde Júlia, estudante de cinema, ruma a Glasgow para recomeçar – e pelo caminho vai perdendo a visão e ficando cega. Vitrival, de Noëlle Bastin e Baptiste Bogaert, atira-nos para uma vila pacata onde, em simultâneo, uma vaga de graffiti em formato fálico e uma bizarra série de suicídios proliferam. De Rungano Nyoni, cineasta zambiana que cresceu no País de Gales, o festival exibe On Becoming a Guinea Fowl, um filme-soco, na esteira de um funeral, sobre os segredos que as famílias tentam enterrar a todo o custo e também sobre um trauma que não desliza para condenações moralistas. No Sleep Till é a primeira longa-metragem de Alexandra Simpson, realizadora estadunidense nascida em Paris, onde a ameaça de um furacão nos dá um mosaico de narrativas de preparação para a hecatombe – curiosamente, aqui, a azáfama não tem lugar. 

Variadas e ecléticas são as visões do mundo, a competição internacional de curtas apresenta-nos histórias de animais desde o Koki, o papagaio de Josip Broz Tito, ao peixe Tilapia, e histórias de amor e desamor, com recortes e colagens muito mal feitos para mostrar que a vida não é perfeita. Natureza, humano e animal em 32 curtas-metragens no IndieLisboa.

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Koki, Ciao

Competição Nacional

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Duas vezes João Liberada
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Black Hole

Dez longas-metragens, numa mescla entre cineastas consagrados e vozes em consolidação. Quatro estreias mundiais: As Flores, de Madalena Fragoso, filme que incide sobre a Praça das Flores, em Lisboa, gravado a partir do quiosque da mesma; Santa Iria, de Luís Miguel Correia, um filme-monumento sobre o movimento e o quotidiano de Santa Iria de Azoia; Somos Dois Abismos, de Kapal Joshy, realizadora indiana a viver em Portugal que encontra Carlos, um homem que vive isolado nas montanhas; e A Vida Luminosa, primeira longa-metragem de ficção João Rosas que continua a sua geografia lisboeta e o embate com as expectativas falhadas: a desilusão que afinal é o real permanente. Ainda em competição, seis longas em estreia nacional: Balane 3, novo filme de Ico Costa de regresso a Inhambane; Duas Vezes João Liberada, de Paula Tomás Marques, onde a meta-linguagem nos conduz à rodagem de um filme sobre Liberada, freira dissidente de género perseguida pela inquisição; Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar, de José Filipe Costa, sobre os derradeiros capítulos do ditador e da sua importante governanta (interpretada por Catarina Avelar); Primeira Pessoa do Plural, de Sandro Aguilar, leva-nos para uma estância turística onde um casal (Albano Jerónimo e Isabel Abreu) celebra as bodas de porcelana; Deuses de Pedra, de Iván Castiñeiras Gallego, conta-nos a história de Mariana, uma criança que frequenta uma das últimas escolas rurais entre a Galiza e o Minho; e Hanami, filme de Denise Fernandes que lhe valeu o título de “melhor cineasta emergente” em Locarno, entre outros prémios, remete-nos para a beleza da Ilha do Fogo e a vida isolada de uma menina. 

Quanto às curtas-metragens, a secção mostra dezasseis filmes entre regressos e primeiras aparições. Falcão Nhaga, vencedor da melhor curta em 2022 com Mistida, regressa com Sabura: um casal de imigrantes que se reencontra em Lisboa. Sombras de Nós Próprios é o primeiro filme em sete anos de Pedro Serrazina (Estória do Gato e da Lua, 1995) e é um poético gesto artístico inundado de medos. Também Ágata de Pinho volta ao IndieLisboa, desta vez com Crua+Porosa, amor e desejo numa entropia obsessiva. De Stephanie Ricci, Quem Se Move é o retrato de uma Lisboa migrante, um filme sobre o movimento, físico e emocional, alimentado por encontros, conexões e a fugaz sensação de pertença.

Silvestre

A secção Silvestre continua a interessar-se por obras selvagens, ervas daninhas indomáveis que crescem onde menos se espera e que desafiam os canônes no ecosistema. Filmes que propõem o universo do absurdo, que escavam profundezas e o passado, e que colocam em cena cenários inusitados. Como na curta-metragem de Caroline Poggi e Jonathan Vinel, dupla francesa a quem o IndieLisboa dedicou um foco integral na edição de 2019, no seu filme Comment ça va?, uma animação onde um conjunto de animais tenta mudar o mundo. Ou ainda em Ariel, que assinala o regresso de Lois Patiño, onde uma actriz se depara com uma estranha circunstância: naquela ilha situada nos Açores tudo é Shakespeare, os cidadãos são personagens e os seus discursos são peças do dramaturgo inglês.

Existem filmes assumidamente políticos, como no filme little boy de James Benning: maquetes e modelos à escala de vários edifícios são combinados com música e discursos políticos. E existem outros filmes ainda que põe a cru a intimidade humana, como no filme do Jay Rosenblatt, o estadunidense que passou a vida de câmara na mão, e com Heartbeat, co-realizado com a companheira Stephanie Rapp, faz-nos recuar 25 anos, pela saga da sua tentativa de gravidez adentro.

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Underground
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Comment ça va

Rizoma

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April

O Rizoma destaca-se com 16 longas-metragens, uma curta e duas séries numa secção não-competitiva. Uma das séries – Os Anos Novos – em ante-estreia TVCine. Esta secção foca-se em grandes temas da actualidade e cineastas consagrados como n’O Último Azul, de Gabriel Mascaro, Urso de Prata na Berlinale, que nos atira para uma viagem pela Amazónia, sonho de uma vida para Tereza (por Denise Weinberg), 77 anos, porque nunca nada é tarde demais. De Dea Kulumbegashvili, April, Prémio Especial do Júri em Veneza, é ferida exposta sem receios; Nina é uma obstetra que faz abortos numa comunidade georgiana onde o procedimento é ilegal – também ilegal é a exibição deste filme na Geórgia (no IndieLisboa, vai ser apresentado no Dia da Mãe, 4 de Maio). Armand, do norueguês Halfdan Ullmann Tøndel, venceu o Caméra d’Or no último Festival de Cannes para a primeira longa-metragem. The Last Showgirl não é só um filme de Gia Coppola, é um regresso entusiasmante de Pamela Anderson, que aqui interpreta Shelley Gardner, uma showgirl de meia idade e futuro periclitante. Khalil Joseph (responsável pela versão visual do disco Lemonade, de Beyoncé) faz o seu filme de estreia neste BLKNWS: Terms & Conditions, uma exploração colectiva, com imagens de arquivo uma mistura de ficção afro-futurista, da memória colectiva da diáspora negra. Rumours é um filme de Evan Johnson, Galen Johnson e Guy Maddin, uma espécie de cimeira G7 com humor e horror às carradas e um elenco onde cabem estrelas como Alicia Vikander e Cate Blanchett. Memórias do Teatro da Cornucópia, de Solveig Nordlund, mergulha na vida e legado de uma das mais relevantes companhias de teatro portuguesas, com particular foco para a figura de Luis Miguel Cintra. 

Novíssimos

Como sempre, a Novíssimos traz-nos as primeiras tentativas, e as primeiras tentativas são sempre refrescantes, e Em 2025, oferece-nos 12 curtas-metragens de jovens estudantes universitários que efectivam a sua chegada ao cinema. De Edgar Gomes Ferreira, filho de pais portugueses, nascido e criado no Liechtenstein que frequenta uma escola de Zurique, Winners, onde dois amigos dormem abraçados depois de um treino de futebol – e não parecem saber lidar com o sucedido. Quatro em Linha, de Clara Figueiredo, que também consta da programação do IndieJúnior, é uma tradição familiar: todos os anos quatro irmãs perfilam-se na mesma praia, para serem fotografadas pelo seu pai. A importância da transformação dos materiais e da preservação dos ofícios tradicionais (o sapateiro, o costureiro, etc) é o foco de Em Reparação, de Beatriz Oliveira. Entre o Mar e a Ilha é um filme de José Rodrigo Freitas apelidado pelo próprio como “arqueologia autobiográfica”; a história de um pai pescador que vê um filho ir estudar para o Continente e de todos os silêncios entre os dois. 

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Foi com o mar

Cerimónia de Abertura e de Encerramento

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Universal Language

E se o Irão fosse no Canadá? Em Une Langue Universelle, filme da Sessão de Abertura do IndieLisboa 2025 (Cinema São Jorge, Sala Manoel de Oliveira, dia 1 de Maio, às 19h), o país de Matthew Rankin (The 20th Century, 2019) está culturalmente irmanado com a nação do Golfo Pérsico. Três histórias aparentemente desconectadas numa comédia com vestígios de absurdo e apelos ao coração. Para a Sessão de Encerramento (Culturgest, Auditório Emílio Rui Vilar, dia 10 de Maio, às 21h30), Jia Zhang-Ke (Still Life, 2006, ou A Touch of Sin, 2013) regressa ao festival depois de lhe ter sido dedicada uma retrospectiva em 2005, traz-nos um longo romance falhado: Caught by the Tides. Ao longo de 20 anos, através de imagens de arquivo de outros filmes do realizador, o (des)amor é um afluente para o verdadeiro rio: um retrato da China contemporânea e da sua valsa com o tempo. 

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