Isto não é um documentário.
Isto não é um documentário.
O mockumentary joga, dentro da sua própria semântica, com uma amplitude de significados que importa relembrar para navegar a subversão deste sub-género que veio, mais cedo do que se imagina, questionar a autoridade inerente ao documentário. A palavra “mock” tanto pode significar gozar como simular ou imitar.
Esta forma cinematográfica constrói-se como um universo ficcional sob a lógica do documentário. É a ficção a apropriar-se das ferramentas do documentário — do cinema vérité às reportagens, entrevistas, narração, making of, imagens de arquivo ou reality shows — para diluir a fronteira instável entre representação e realidade, abrindo um território fértil de apropriação mútua e de reflexão.
Com presença notória desde o princípio do século passado, ainda que o termo mockumentary só tenha surgido mais tarde, na década de 60, atingindo o auge de popularidade nos anos 80, este programa retrospectivo traça uma linha cronológica desses primeiros momentos até à actualidade, sublinhando a fluidez do género e a sua persistente relevância contemporânea.