A missão é secreta e a ambição é utópica: um filme para acabar com o mundo verdadeiramente. We Put the World to Sleep é sobre fronteiras, uma produção que durou nove anos e que oferece tudo menos certezas — intérprete ou personagem, improviso ou guião, morte ou permanência, real ou o seu satélite. Este é o segundo capítulo da “trilogia espiritual” do realizador romeno Adrian Țofei e da sua parceira artística Duru Yücel.
É quarta-feira numa semana igualzinha a todas as outras, são duas da manhã e não consegues dormir, aquele email por responder assombra-te o pensamento e percebes que precisas de uma distração portanto ligas a televisão. (ou qualquer outro análogo para as pessoas mais novas que eu) Não acontece todas as noites mas nesta em particular apanhas um filme a dar que é algo indescritível, que parece um sonho febril que tens dificuldade em falar sobre no dia seguinte com pessoas. Apesar de tudo, aquela experiência nocturna é tua e apenas tua. We Put the World to Sleep devolve-me essa sensação, uma espécie de hilariante meta found footage que dá um abanão ao género com enorme inventividade. Seguimos dois actores que se perdem nos seus papéis, assim que deres por ti já estás noutra camada do metacomentário até irmos parar a um intenso estudo da psique do serial killer Richard Ramirez. Algo que merece ser visto a horas indecentes e com curiosidade na mente. (Rui Mendes)