Como um tributo para a posteridade, Fabien Pisani, abre as gavetas da intimidade da preponderante voz cubana Pablo Milanés, fundador da nueva trova. É de lá que extrai imagens de arquivo que funde com entrevistas ao próprio pai, a outros membros familiares e a colaboradores artísticos (Chico Buarque, Fito Páez). Uma geração de músicos brilhante, cujas frases de hoje deixam entender a desilusão com uma revolução que consideram falhada.
É através do presente, dos olhos e dos sentimentos de Pablo Milanés na recta final da sua vida, imigrado em Espanha para acompanhamento médico, sempre morto de saudades da sua ilha, que se desvela todo o percurso do cantor e compositor que, na passagem da década de 1960 para a de 1970, transformou a música cubana. Chamaram-lhe “nueva trova”, uma nova canção para o novo país que brotara da revolução, e teve em Milanés o seu maior intérprete, cantando as lutas e exigências do seu povo, dando nova profundidade poética ao son cubano, abraçando outras expressões musicais sul-americanas e contaminando-se de jazz.
Realizado por Fabien Pisani, filho adoptivo de Milanés, é o retrato íntimo de homem maior que a vida, admirado por nomes tão diversos como Chico Buarque e Harry Belafonte, dois dos entrevistados, e, no mesmo movimento, a história de Cuba nos caminhos de uma revolução que o cantor de Para vivir viveu, apoiou, questionou e a que se opôs sempre que a tal o obrigou a consciência. (Mário Lopes)