Quatro críticos de cinema, acompanhados pela presença discreta de um realizador, analisam as origens da sua cinefilia. A Sessão de 3 de Maio será seguida de debate com o realizador e os críticos de cinema Inês Lourenço, Luís Miguel Oliveira, Vasco Câmara e Ricardo Vieira Lisboa com moderação do jornalista Carlos Vaz Marques.
Como se define o cinema de um país? Pelos seus autores, pelas imagens e sons (ou não) dos filmes, pelo que se diz e ou se escreve sobre eles? Júlio Alves e a sua persistência para entender o cinema que se faz em Portugal, depois dos belíssimos Sacavém e Diálogo de Sombras, volta a olhar para a materialidade do cinema, sobre os objectos físicos que se transformam numa máquina de luz e são projectadas imagens para um espectador. Quatro críticos de cinema são convidados a comentar as suas primeiras imagens, venham elas da memória ou da experiência, ou mesmo da origem das imagens do nosso país. E o resultado é surpreendente porque subitamente os críticos falam das suas primeiras imagens como espectadores emancipados o que antecipa o facto de virem a ser críticos no futuro que é o nosso presente. A câmara de Alves, sempre atenta, antecipa gestos ou percepções que só entenderemos mais tarde e põe a memória deles ao serviço da nossa própria memória de espectadores. Este é um filme que nos devolve em espelho. Sou eu, és tu, cada um de nós identifica-se com o que ouve e, talvez possamos entender, que ir ao cinema ou ver filmes em casa, numa televisão ou numa plataforma, é um gesto tão comum, quanto as refeições que tomámos. Mas quando estas imagens ficam impregnadas em nós, talvez o futuro nos diga que o cinema um dia nos vai bater à porta. Vasco Câmara, Inês Lourenço, Ricardo Vieira Lisboa e Luís Miguel Oliveira são as cobaias de Júlio Alves e os nossos alter-egos. (Miguel Valverde)