Meredith Monk é uma figura excepcional enquanto compositora, cantora, performer e artista multidisciplinar, tendo influenciado artistas como Björk ou David Byrne. Monk enfrentou um mundo sexista e frequentemente depreciativo para se tornar numa reconhecida voz pioneira e única. Um filme que se apresenta como história, mas também antecipação de como sobreviverá o seu trabalho na sua ausência.
Depois de, no início do ano, ter dado dois esgotados e inesquecíveis concertos no nosso país, Meredith Monk volta, desta vez, em formato filme. Compositora, intérprete, performer e artista interdisciplinar, Monk é uma visionária, reconhecida e premiada como uma das artistas mais peculiares e influentes do nosso tempo. Como refere o seu contemporâneo Philip Glass: “Ela, entre todos nós, era – e ainda é – a única dotada.” No entanto, as primeiras críticas ao seu trabalho, nos anos 60 e 70, estavam longe deste reconhecimento. As primeiras críticas no The New York Times foram cruéis e sexistas, com Clive Barnes a chamar-lhe “uma desgraça para o nome da dança”.
Monk in Pieces é um mosaico ou um conjunto de peças que reflete a estrutura e diversidade original do trabalho desta artista nunca acomodada em 60 anos de carreira e 82 anos de idade, cruzando canto, composição musical, teatro ou ópera. Aqui, entramos na sua vida quotidiana no seu loft em Tribeca, onde vive a trabalha desde 1972, conhecemos a criação da mais recente obra, Indra’s Net, mergulhamos num riquíssimo arquivo de filmes e fotografias e ouvimos testemunhos de artistas que reconhecem uma profunda influência da parte de Meredith Monk, como David Byrne ou Björk. (Helena César)