Desceu da favela e invadiu as grandes avenidas e tudo o que era recanto, baile de rua ou discoteca chique. O funk, mais especificamente o funk-putaria, é hoje o estilo de música mais popular do Brasil e ergue bem alto a sua bandeira anti-púdica, profundamente erótica, o corpo (nomeadamente feminino) que resiste, deseja, reivindica. Massa Funkeira, o novo filme de Ana Rieper (Vou Rifar meu Coração, IndieLisboa 2012) traz o funk para o centro do sexo ou o sexo para o centro do funk.
Com a participação de nomes como MC Carol, Valesca Popozuda, Deize Tigrona, MC Rebecca ou Tati Quebra Barraco, Massa Funkeira mergulha no universo do funk brasileiro e celebra este género que conquistou as rádios nacionais, levando este estilo carioca periférico para todo o Brasil e além-fronteiras, ultrapassando barreiras sociais e económicas.
O filme retrata um importante paralelismo entre o funk e a sensualidade, entre o funk e a sexualidade, e discute género, prazer, machismo, relação com corpo, moralismo, dando voz aos desejos, sucessos e sonhos de mulheres num ambiente desde sempre dominado por homens.
Sem moralismos, Massa Funkeira revela como, através do corpo, da dança, das letras e das vivências de artistas, o funk expressa resistência, desejo, prazer e afirmação pessoal. A celebração de um género musical como força vital das perifierias brasileiras e da cultura negra urbana do Brasil. (Helena César)