Romain é um jovem adulto que vai buscar ao amigo do costume algo novo para experimentar. Num regresso a casa tingido de cocaína e qualquer coisa mais, a música aos berros e o sentimento eufórico é interrompido quando alguém que não deveria estar na estrada entra no carro. O que se segue é uma descida ao, digamos, apocalipse zombie num filme que emprega um plano único com mão segura e destemida. MadS tem um sentido estético assombroso que se harmoniza com a tensão exímia que constrói. Faz sentido que a última noite seja a mais louca.
Um jovem party boy experimenta uma droga nova, recomendada pelo seu dealer. ‘Cautela!’, diz
ele, mas agora é tarde… No caminho de volta, depara-se com uma mulher ferida balbuciante,
mas, ao tentar ajudá-la, vê-se envolvido numa série de eventos surreais. Construído num
glorioso plano-sequência, MadS é uma pequena maravilha técnica, que cruza a tensão do
cinema de terror com a euforia narcótica do horny house party movie, género não-oficial mas
que todos conhecemos perfeitamente. Imaginem Dawn of the Dead sem o contexto e subtexto
político, misturado com Project X, pequena obra-prima do cinema norte-americano recente. A
noite avança mas as nossas questões permanecem – estamos perante um vírus ou a pior
bad-trip colectiva da história? Isto é tudo um prank? Não interessa nada. O que interessa é a
forma como MadS sustenta o gimmick do plano único durante 90 minutos, sem quase nunca
abrandar nem perder o chão, num controlo de tensão impressionante, mantendo a ansiedade e
o realismo. (Bruno Pereira)