James Benning faz filmes no âmbito experimental desde os anos 1970, incluindo projecções e instalações computacionais. É também professor, no California Institute of the Arts, e há algo do pedagogo que fica imbuído neste filme. Em little boy vemos tanto a pintura que antecede a construção meticulosa de um modelo à escala de vários edifícios, como a sua forma final. A pintura é feita ao som de música, a apresentação final ao com de discursos históricos. Um filme que usa o passado como arauto do futuro.
little boy é o nome da primeira bomba atômica usada em guerra, lançada sobre Hiroshima em 1945. Nas mãos de James Benning, porém, esse nome se transforma em um delicado e incisivo ensaio sobre as violências históricas. A partir de simples tableaux que documentam a construção de maquetes de cenas norte-americanas, entrelaçadas com músicas populares e discursos políticos, Benning retorna às suas paisagens para manipular, com sua já conhecida precisão formal, os alicerces da História dos Estados Unidos. Entre um fóssil de dinossauro com milhões de anos e a iminência de repetirmos os erros do passado — marcada pela ascensão da extrema-direita — little boy reconfigura o léxico ianque ao propor um jogo de afetos entre discursos políticos, poéticos e suas múltiplas formas de poder. Aqui, a paisagem não é apenas cenário, mas linguagem.
Lucas Camargo de Barros