Numa planície de luz parca, onde a vida não abunda, o Organoid ocupa os seus dias numa existência simples. A dado momento, começa a notar uma presença ameaçadora em seu redor. Decide fugir e o confronto acontece.
Life of the Organoid é um filme que nos mostra o ciclo de vida de um organismo improvável e bizarro. A narrativa visual segue um organismo aparentemente estranho e sem propósito – descrito como uma massa de “carne” com pernas e uma pequena “cabeça” primitiva – à medida que come, bebe, dorme, defeca e até se reproduz. O que à primeira vista pode parecer simples ou mesmo absurdo transforma-se numa reflexão sobre o movimento, o comportamento e as experiências que fazem parte de qualquer forma de vida, ou a vida em estado bruto.
Daan Lucas constrói um universo visual singular que mistura humor, estranhamento e uma curiosa noção de contemplação da existência. Através da animação e de uma estética quase visceral, o realizador aproxima o espectador de algo simultaneamente repulsivo e fascinante, criando uma relação ambígua com a criatura.
O que inicialmente parece grotesco começa a ganhar contornos de uma certa familiaridade. Os gestos repetitivos e as necessidades básicas do organismo tornam-se reconhecíveis, quase humanas, sugerindo que, apesar da sua aparência insólita, partilha connosco os impulsos fundamentais da sobrevivência. (Jéssica Pestana)