Candice é uma rapariga que explode. Ela explode várias vezes por dia, há três meses, e não parece parar. Candice renasce das explosões qual fénix e quer menos preparar-se para o fim e mais sentir-se presente no momento antes de explodir — uma metáfora para muitas coisas.
O meu nome é Candice.
Nos últimos 3 meses, tenho explodido diariamente.
Mesmo em feriados.
Mesmo em dias de greve.
Às vezes mesmo 2 ou 3 vezes por dia.
Caroline Poggi e Jonathan Vinel regressam ao IndieLisboa com La fille qui explose. A filmografia da extraordinária dupla francesa está repleta de filmes marcados por uma forte estética hiper-realista dos videojogos. De novo com La fille qui explose voltam às margens da sociedade francesa com essa estética usando técnicas de computação 3D para a construção das imagens do filme que através da linguagem de mundos artificiais falam dos temas reais da vida moderna, dos grupos mais jovens e perdidos num futuro incerto nestes dias, mas com esperança num mundo melhor. A música é de Malibu.
Através da voz off da Candice que nos acompanha ao longo do filme, entramos no mundo dela, o ponto de vista do que é visto no ecrã é muitas vezes o seu olhar. Entramos num ambiente que revela os tumultos num subúrbio francês ou o quarto de Candice. Sozinha, fragmenta. Mas sente o desejo. Procura aproveitar os dias de uma apocalíptica existência marcada por uma sede de todas as sensações.
Um filme sobre muitas coisas onde cabem muitas outras coisas: reflexão sobre a condição precária do humano, a inquietude social ou a natureza de ser-se mulher. Em apenas 19min cabe tanto cinema.
Este filme contém cenas que podem chocar a sensibilidade de alguns espectadores. La fille qui explose é exibido com o filme Les Reines du Drame by Alexis Langlois. Alexis Langlois estará presente para uma conversa com o público.
(Alexandra Ferraz)