Um filme sobre a distância, a perda e a fragilidade da vida metaforizadas através de um jardim que caiu e um mar que o engoliu.
Foi com o mar o jardim dos avós. Levou com ele tantos momentos de partilha, de convívio de família. Era ali que todos se juntavam e vivam a família no exterior, naquele jardim virado para o mar. Mas a natureza é dada aos seus caprichos e a vida tem uma fragilidade com a qual a força do mar nem sempre se compadece. Foi o jardim com o mar e ficaram as fotografias, as memórias dos momentos. A derrocada do jardim abriu caminho para pensar a perda e com ela o tempo que se julga durar para sempre: numa ilha é o mar que leva os que já lá não estão, seja porque deixaram de existir ou porque optaram por existir noutro lugar. “Foi com o mar” é afinal um poema dedicado aos avós, à infância, à natureza e à ilha da Madeira onde tudo isto se cruza. (Margarida Moz)