Rob (Will Maiden) e Bethany (Charli xcx) estão de férias em Varsóvia e ele traz um anel de noivado no bolso. E logo as dúvidas tratam de a assaltar porque carinhoso e dedicado também podem ser sinónimos de aborrecido. O impulso é fugir, correr atrás de Nel (Lena Gorá), uma velha amiga polaca com quem havia perdido contacto e com quem tem uma química muito veemente — ao ponto de ambas acharem que sempre que estão juntas um vulcão entra em erupção.
A sessão IndieDate, no sábado, 2 de Maio, é apresentada por Diogo Faro, seguida de uma conversa pós-sessão para quebrar o gelo e estimular novas conexões – a partir de um quiz ao qual podes responder aqui. Depois, segue-se a icónica Festa da Mensagem no Purex: mensagens de amizade ou flirt, a escolha é tua.
Nada mais disruptivo do que um vulcão em erupção: a sua irrupção dramática num quotidiano aparentemente pacato é, por natureza, assombrosa. Enquanto manifestação imprevisível, presta-se facilmente a leituras metafóricas, nomeadamente no domínio das paixões românticas.
Em Erupcja, porém, esse eixo é subtilmente invertido. Em vez de assumir o vulcão como motor da acção, Pete Ohs desloca o foco para a forma como as relações afectivas, frágeis, incertas, podem, elas próprias, operar como forças desencadeadoras.
A premissa evoca o chamado efeito borboleta, associado à teoria do caos: a ideia de que um gesto ínfimo, como o bater de asas de uma borboleta numa parte do mundo, pode repercutir-se e produzir consequências inesperadas noutro lugar. Em Erupcja, são essas pequenas perturbações que progressivamente reconfiguram o desenlace.
Esse movimento é mediado por um narrador discreto mas preponderante, de humor seco e ironia contida, cuja voz se revela central para a construção da ambiguidade do filme. Entre a ordem e o imprevisível, a obra instala-se numa zona de tensão onde o acaso adquire forma.
Susana Santos Rodrigues