29 ABRIL — 09 MAIO 2027

29 ABRIL — 09 MAIO 2027

Auto da Casa

Tiago Bartolomeu Costa, Joana Cunha Ferreira

Portugal
2026, 123'

Um teatro com nacional no seu nome, a fechar uma praça, a falar para que país? Esta é uma viagem às diferentes narrativas sobre o Teatro Nacional D. Maria II num país moldado pelos diferentes regimes que ali quiseram encenar as suas ideias. A sua história é também a das vontades de quem a isso resistiu, a ele se opôs ou com ele se confundiu. Como podemos ser seus herdeiros se lá nunca tivermos entrado?

Auto da Casa do Inferno poderia ser o mote para descrever a saga do Teatro Nacional D. Maria II e da companhia que mais tempo esteve à frente do seu destino – Rey Colaço-Robles Monteiro. Mas a história começa ainda antes, no século XIX, e o filme de autoria de Tiago Bartolomeu Costa, com realização do próprio e de Joana Cunha Ferreira (produção Midas Filmes) procura entender porque se fez o teatro naquele sítio, a definir uma praça, para que país ele foi feito e para que pessoas ele foi feito. Se parece impossível fazer esse filme sem o recurso a entrevistas filmadas, este filme prova o contrário. É um filme todo construído a partir de imagens de arquivo, evocatórias da nossa memória quando essas imagens em movimento ainda não existiam, mas também há a convocação da literatura e das outras artes para dentro do espectáculo de teatro. E como encantadores de serpentes ou contadores de histórias, da tradição oral, os cineastas anestesiam-nos e somos transportados para dentro desse teatro que já teve bancos corridos, que tinha má frequência e que sobreviveu a um incêndio, mas que acima de tudo, tinha uma programação que não parava, mesmo quando os autores eram censurados, ou quando os actores não podiam trabalhar por causa das suas convicções políticas. E que sítio é este de que ainda hoje se fala tanto, que testemunhou todos os feitos da cidade, os movimentos políticos, as mudanças de regime? Talvez a explicação esteja no facto que quando o “tentaram matar”, a companhia mudou-se para o Coliseu e replicou o espectáculo sem qualquer elemento cénico, a não ser a vontade de estar em palco. Um filme a não perder. (Miguel Valverde)

Rizoma

SESSÕES

FICHA TÉCNICA

TIPO DE ESTREIA
Mundial
TÍTULO ORIGINAL
Auto da Casa
DIÁLOGO
Português (PT) / Inglês
ELENCO
Joana Manuel, Vítor D'Andrade
FOTOGRAFIA
André Costa
MONTAGEM
Joana Góis
PRODUTOR
Pedro Borges
PRODUÇÃO
Midas Filmes
VENDAS
Midas Filmes ([email protected])

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