A 23.ª edição do IndieLisboa revela-se por inteiro, com uma programação de 241 filmes, entre curtas e longas-metragens.
Competição Internacional

Muitos dos filmes da Competição Internacional estão envoltos em traumas familiares irresolúveis ou impasses da intimidade. Longas e curtas-metragens que atravessam fronteiras de género, forma e geografia. Em 2026, esta secção reúne 10 longas e 33 curtas-metragens.
A longa de estreia de Sophy Romvari, Blue Heron, acompanha a mudança de uma família húngara para a Ilha de Vancouver, no Canadá. Através da perspectiva da filha mais nova, somos confrontados com este terramoto íntimo.
Do Brasil, Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha, de Janaína Marques, propõe uma viagem imaginada com o propósito de criar memórias felizes, que Rosa, deitada numa marquesa em plena ressonância magnética, não encontra dentro de si.
Já Dry Leaf, do georgiano Alexandre Koberidze, narra a busca de um pai por uma filha que partiu para cumprir o seu projecto de longa data: fotografar campos de futebol consumidos pelo tempo e vegetação.

Competição Nacional


Numa das secções mais importantes do festival, novas vozes voltam a erguer-se ao lado de olhares já mais consolidados. Em 2026, são 29 filmes em competição, dos quais 16 estreias mundiais.
Depois de ter sido escolhido para a abertura do Festival de Roterdão, A Providência e a Guitarra, de João Nicolau, passa pelo IndieLisboa numa divertida deambulação entre tempos e tem o cantor Salvador Sobral no elenco.
Já em Fordlândia Panacea, segundo filme de Susana de Sousa Dias, conhecemos um complexo industrial da Ford, na Amazónia, que recusa o rótulo de cidade-fantasma.
Em 18 Buracos para o Paraíso, de João Nuno Pinto, aborda questões familiares e a mesma história (de uma propriedade rural) é contada de diferentes perspectivas.
Esta é também a maior selecção de curtas da história da Competição Nacional, com 21 obras.
Dois e Um Gato é a primeira obra de Patrícia Saramago, relevante nome da montagem do cinema nacional, falecida no passado mês de Outubro, e que terá, no final de Abril, um ciclo de homenagem na Cinemateca Portuguesa.
André Santos e Marco Leão, duo que já por várias ocasiões marcou presença no IndieLisboa, regressam com Vivomorto: a filha vai de férias e o pai fica encarregue do seu gato, mas ele não está em lado nenhum.
Silvestre
Esta secção competitiva encontra na singularidade a sua norma. Nesta edição, a Silvestre reúne 7 longas-metragens que propõem alguma irreverência e que espelham a rebeldia do festival.
Em By Design, de Amanda Kramer, uma sátira à objectificação feminina, Camille (Juliette Lewis) troca de corpo com uma cadeira e percebe que toda a gente prefere esta sua nova versão.
Já My Wife Cries, de Angela Schanelec, é sobre uma fenda relacional entre um casal na Berlim contemporânea.
As curtas-metragens continuam a ser uma forte componente da Silvestre. Este ano apresentam-se 16 filmes, com destaque para a nova obra de Jan Soldat, em estreia mundial. O realizador alemão, que teve um foco no IndieLisboa em 2015, prossegue com Playing Drunk a sua exploração do fetiche e da sexualidade.


Rizoma

A secção herdeira das Sessões Especiais volta a apresentar um menu composto: 12 longas, uma série e quatro curtas onde se encontram cineastas de relevo e temáticas que remetem para a actualidade.
Entre os destaques, encontram-se filmes protagonizados por intérpretes de excelência: Rose, de Markus Schleinzer, com Sandra Hüller (Urso de Prata para Melhor Interpretação Principal na Berlinale), e The Blood Countess, de Ulrike Ottinger, com Isabelle Huppert numa versão vampírica.
Destaque também para o conjunto de filmes portugueses: Auto da Casa, de Tiago Bartolomeu Costa e Joana Cunha Ferreira; Esse Olhar que é só teu, de Luísa Sequeira; Mulheres de Abril, de Raquel Freire; Não Desviar o Olhar, de Júlio Alves; e O Velho Salazar, de João Botelho.
A secção inclui ainda uma homenagem a João Canijo, com a exibição de Noite Escura – Versão do Realizador, filme que integrou a Competição da 1.ª edição do IndieLisboa.
Novíssimos
A secção Novíssimos tem sido a casa comum de jovens cineastas em arranque de carreira ou ainda a concluir os estudos concretizam-se neste lugar.
Em 2026, a secção oferece-nos 13 curtas-metragens com linguagens muito distintas. Em Onde Nascem os Pirilampos, de Clara Vieira, um grupo de amigos adolescentes vai acampar: amor e um enxame de pirilampos.
(as)sento, de Pedro Domingos, é um movimento experimental que sugere uma dança de objectos, no lugar das pessoas estão as cadeiras.
O actor João Nunes Monteiro tem em Éramos Só Putos, o seu primeiro filme: um coming of age queer num campo de férias em 2007.
