Billie

Billie Holiday é uma lenda do jazz norte-americano. No final dos anos 60, como preparação para uma biografia que nunca chegou a escrever, a jornalista Lipnack Kuehl gravou mais de 200 horas de entrevistas com outros músicos, mas também familiares, amigos e amantes da cantora. James Erskine acede pela primeira vez a este material para uma abordagem à sua vida que restaura também algumas performances a cores e imagens de arquivo de Holiday.

Conhecemos a história. Falamos, afinal, de uma das vozes do século XX, da mulher que carregava em si a história do jazz e que o transformou em expressão de uma vida de glória artística e de tumulto privado. Billie Holiday, nascida em 1915 e levada por uma vida de abusos e excessos em 1959, aos 44 anos, foi admirada por Duke Ellington, foi influência marcante para Sinatra, foi reflexo conturbado da transparente Ella Fitzgerald.

A partir de 1970, a jornalista Linda Lipnack Kuehl, que sabia tudo isso, dedicou-se nove anos a saber mais. Com o objectivo de escrever uma biografia, reuniu duzentas horas de entrevistas com amigos, amantes, agentes, familiares ou músicos como Count Basie e Sarah Vaughan. Linda Kuehl, a outra protagonista deste documentário, morreu tragicamente antes de concluir o seu livro, mas com as palavras que gravou reunidas às iluminadoras imagens de arquivo, a obra como que se concretizou. “Billie” é o retrato completo. (Mário Lopes)

 

A Vida Dura Muito Pouco – Celebrando a Obra de José Pinhal

Nos anos 80, José Pinhal gravou um par de cassetes num estúdio de Matosinhos e depois foi esquecido. Foi apenas nos anos 2000 que a sua música começou a ser recuperada, em festas e na internet, transformando-o num dos mitos da música popular portuguesa.

José Pinhal foi um estranho na multidão. Em seu redor, somente paira a grossa névoa do mistério. Sobra-nos, portanto, a sua palavra delicada e do que, com ela, nos canta José: dos cabelos da mulher sonhada, longos até à cintura, que se querem desfraldados ao vento, ou dos lábios saturados de vermelho daqueloutra que se deseja mas se não pode, derradeira panaceia para a polidipsia da alma. Um romântico de gostos simples na vida, eis enfim tudo sobre José Pinhal. A delicada lírica do cantautor, que tanto nos diz sobre a vida e os amores, é uma fortuna que só reconhecemos depois de partir dentre nós esta ave canora de Santa Cruz do Bispo. O reportório de José Pinhal é uma ode interminável ao Amor, ao bailarico de verão, ao perdão que nem sempre se nos é concedido. Se o amor é eterno na sua música, também José o é agora em A Vida Dura Muito Pouco; se Pinhal cantava o perdão, cantamos-lhe nós agora o nosso reconhecimento tardio. (Filipa Henriques)

 

Eletronica:Mentes

Ao contrário do samba ou da bossa nova, a música eletrónica brasileira não tem sido objeto de abordagem pelo cinema. Este documentário procura preencher essa lacuna, traçando um percurso histórico que começa nas experiências pioneiras de Jocy de Oliveira e Jorge Antunes, nos anos 60, e vem até aos dias de hoje, com nomes como Alexx kidd, Savio Lopes, passando pelo trabalho da editora Cri du Chat e de veteranos como Anvil FX, Loop B. ou Apollo Nove.

Na década de 1960, Jocy de Oliveira e Jorge Antunes já faziam as suas primeiras experiências no universo da música electrónica no Brasil. Os dois pioneiros não podiam imaginar a influência que suas composições teriam nas gerações futuras. Com o passar das décadas, a música electrónica popularizou-se e passou a ser um estilo de vida e um estado de espírito. Mas enquanto os músicos dominam as tecnologias em constante evolução, eles também reflectem sobre a relação entre o homem e a máquina. (Mickael Gaspar)

 

Laurel Canyon: A Place in Time

In mid-late 1960s and early 1970s, Laurel Canyon was the epicentre of the counterculture. Many musical events took place there and many rock stars lived at that place. Alison Ellwood’s documentary uses rare videos, outtakes, demos and photos in order to pull the curtain on that mythical period, make us go back in time and explore the stories of musicians like Mamas and the Papas, Bob Dylan, Joni Mitchell, The Doors or Frank Zappa.

Somewhat bigger than a neighborhood and smaller than a city. It watched closely the Los Angeles metropolis, but the orography and the surrounding nature acted as a protection from it. In the 1960s, Laurel Caynon was one of the epicenters of the musical American counterculture that defined the decade. Impressive as it may seem, it seemed everyone found a home, shelter and inspiration there: The Mamas And The Papas, The Doors, Love, Franz Zappa, Joni Mitchell, The Monkees, Neil Young and Stephen Stills’ Buffalo Springfield, Gene Clark and David Crosby’s Byrds – therefore, also Crosby, Stills & Nash. Them and those who came, guided by them, which could be The Beatles, Bob Dylan or Dennis Hopper. 

“Laurel Canyon: A Place In Time” tells us, as the title goes, the story of a time and a place. Someone calls it “the garden of Eden”, but this is a garden made of electric sounds and the ambition to create in those mountain houses a new reality – free, creative and brotherly. Then came Charles Manson, time passed by, success corrupted brotherhood and youth experienced an heads-on collision with life outside that idyllic bubble. The fascinating and inspiring Laurel Canyon was inevitably doomed to fail, but that, in fact, only adds to the romanticism of the echo we still hear calling from the distance. (Mário Lopes)

Keyboard Fantasies: The Beverly Glenn-Copeland Story

Beverly Glenn-Copeland escreveu e lançou, a partir do seu estúdio caseiro em Huntsville, Ontario, o álbum de folk eletrónico Keyboard Fantasies em 1976. Apesar de inovadora em muitas das sonoridades a cassete caiu no esquecimento. Três décadas depois, graças à cortesia de um colecionador de raridades japonês, o disco foi reeditado e conheceu finalmente o seu público. E eis que, o agora músico Glenn-Copeland, começa a sua primeira tournée aos 74 anos.

Keyboard Fantasies não é o disco mais óbvio – nem mesmo para apreciadores de um espectro de música entre a folk e a ambient. Ouçamo-lo de uma ponta à outra, com menor ou maior atenção, e pouco saberemos dizer sobre Beverly Glenn-Copeland. A delicadeza do jogo de beats, os silêncios, a sua voz terna – nada disto nos diria que Beverly era um rosto da luta pelos direitos LGBT no Canadá dos anos 70, uma era em que sê-lo era um crime punido por lei. Da sua música, poderíamos dizer que nos cativa pelo equilíbrio, também ele espelhado na forma como nos revela a sua história de vida e da sua música, através de um disco reconhecido apenas três décadas depois da sua primeira edição. Uma história de luta, coragem e de sabedoria espiritual: a constante renovação de nós próprios (“We are ever new”). (Filipa Henriques)

 

Gimme Shelter

Gimme Shelter, que celebra agora cinquenta anos, é não apenas um objeto imprescindível para compreender o que foi o Cinema Directo, como também um dos melhores documentários musicais da história do cinema. Este acompanha as últimas semanas da tournée americana dos The Rolling Stones, em 1969, com especial foco nos trágicos acontecimentos que levaram à morte de um fã às mãos dos Hell’s Angels que faziam a segurança no Altamont Free Concert, o último da digressão.

Um olhar retrospectivo para o ano de 1969 permite ver como foi marcante na história mundial. Pela primeira vez um ser humano pisou a lua, aconteceu o festival de Woodstock e foi o ano em que se considera que nasceu a internet. O dia 6 de Dezembro do mesmo ano fica marcado por um outro acontecimento, o festival de Altamont no final da digressão americana dos The Rolling Stones, que reuniu cerca de 300 mil pessoas. Diz-se que aqui morreu o sonho dos anos 60. Neste festival tocaram também Santana, Jefferson Airplane, The Flying Burrito Brothers e os Crosby, Stills, Nash & Young. Este era o Woodstock do oeste. Há vários mitos sobre o que aconteceu. Os Stones contrataram os Hell’s Angels para fazer a segurança do festival. Mas as coisas precipitaram-se e a violência tomou o lugar da paz e do amor, culminando na morte por esfaqueamento de Meredith Hunter, momento captado pelas câmaras do documentário e que depois foram usadas como prova. Gimme Shelter é o filme desses acontecimentos, por muitos considerado o melhor filme de rock de todos os tempos, exibido aqui no âmbito da comemoração do seu 50º aniversário. (Carlos Ramos)

 

Hacer una Diagonal con la Musica

A compositora eletroacústica Beatriz Ferreyra é uma das pioneiras da música concreta nos anos 50 e 60. A sua técnica de caça aos sons, os processos de montagem e espacialização sonoras são aqui discutidos, num filme cheio de portas a ranger e cães a ladrar.

O IndieMusic permite estas descobertas. Beatriz Ferreyra, compositora argentina e caçadora de sons, pioneira da música concreta nos anos 50 e 60, tal como Pierre Schaeffer, com quem colaborou. Neste pequeno e maravilhoso documentário entramos no mundo de Beatriz, nas suas ideias e pensamentos sobre o som, explicados com acções práticas de portas a ranger e cães a ladrar. Aura Satz filma tudo muito perto dela, a mostrar o seu corpo, os movimentos, as mãos, passando para o filme a materialidade das portas, dos barulhos e dos sons. (Carlos Ramos)

 

Caos e Afinidade

Viagem pela música improvisada em Portugal, em particular em Lisboa, tendo como foco o já extinto Bar Irreal. Com entrevistas e concertos filmados de nomes como Gabriel Ferrandini, Adriana Sá ou Lantana, Chaos and Affinity dá a ver uma realidade cultural pouco retratada, de um conjunto de artistas e locais nacionais onde esta música tem lugar. Pedro Gonçalves assina aqui a sua primeira longa metragem.

Uma das forças do documentário de Pedro Gonçalves é a sua contemporaneidade. A maior parte dos documentários sobre música foca-se sobretudo em bandas, artistas ou movimentos que já não existem ou cujo momento áureo ocorreu no passado. Caos e Afinidade fala-nos sobre o aqui e agora. Um retrato da música improvisada portuguesa, com maior enfâse em Lisboa e com epicentro no, ironicamente extinto, bar Irreal.  Pedro reúne um conjunto de músicos incríveis, resgatando-os da sua invisibilidade através de concertos e entrevistas. Um objecto para memória futura naquele que é o seu primeiro e promissor filme. (Carlos Ramos)

 

Le Regard de Charles

Desde que Charles Aznavour recebeu uma câmara, em 1948, das mãos de Edith Piaf, que o acto de filmar se tornou parte do seu quotidiano. O cantor mantinha um vídeo diário, no qual registou momentos importantes da sua vida, viagens, concertos, amantes e amigos. Antes de morrer expressou o desejo de com aquele material fazer um filme. Marc di Domenico, ele próprio tendo filmado Aznavour durante 3 anos, concretiza esse desejo, acedendo aqui a esse espólio pessoal.

O normal é que as câmaras estejam viradas para eles, os cantores, os actores, os homens e as mulheres que sobem aos palcos e que preenchem as telas. Um dos maiores nomes da canção francesa, filho de refugiados arménios que atravessou o século XX e que entrou no seguinte com a certeza que nada a não ser a morte o poderia parar (e só mesmo ela para o obrigar à reforma antecipada, tinha ele 94 anos, estávamos em 2018), Charles Aznavour foi antes de mais cantor, mas também preencheu as telas, como não nos deixa esquecer o “Disparem Sobre o Pianista” em que Truffaut o fez protagonista no início da ebulição nouvelle vague. Aznavour By Charles mostra-nos Charles Aznavour, a estrela, a fazer algo para além do normal. Em 1948, Edith Piaf ofereceu-lhe uma câmara. Nos 34 anos seguintes, Aznavour registou paisagens e rostos, gente anónima, as mulheres da sua vida, as estrelas como ele. Marc di Domenico mergulhou nesse imenso arquivo e deu-lhe uma forma. Romain Duris fez-se Aznavour e deu voz ao seu pensamento. O resultado é um filme revelador. O observador torna-se a coisa observada, e vice-versa. “Aznavour by Charles”, Charles é Aznavour. (Mário Lopes)

 

White Riot

No final dos anos 70, a Frente Nacional Britânica defendia posições xenófobas de extrema direita. Como resposta nasceu um elemento central do punk rock britânico, o movimento anti-racista Rock Against Racism. O filme de Rubika Shah retrata o surgimento desse movimento, sob o impulso do fotógrafo de música Red Saunders, e ao qual se juntariam bandas como The Clash ou Sham 69, num momento em que uma geração desafiava o status quo através da música..

O RAR – Rock Against the Racism, movimento político e cultural, nasceu em 1976 em Londres como reacção ao aumento de ataques racistas no Reino Unido, ao apoio à fascista Frente Nacional Britânica e ao apoio por parte de alguns músicos à ideia Keep Britain White.

Relevante e oportuno, o premiado White Riot intercala testemunhos com imagens de arquivo, relevando o ambiente hostil e anti-imigrante e as marchas da Frente Nacional. Enquanto os neonazis recrutavam jovens, os concertos multiculturais de punk, rock ou reggae do RAR eram a resistência contra o fascismo. Músicos de vários géneros musicais não só tocavam como participavam na organização das acções. O RAR foi crescendo, desde os fanzines até ao enorme Carnival Against the Nazis, um dos marcos do movimento, em Abril de 1978, que juntou 100.000 pessoas numa marcha pelas ruas de Londres até Victoria Park, onde actuaram bandas como The Clash, Steel Pulse e X-Ray Spex. (Helena César)

The Heart is a Drum

O músico alemão Klaus Dinger foi um dos membros fundadores da banda NEU!, e baterista dos Kraftwerk. Foi também um dos pioneiros da chamada batida Motorik, sonoridade de marca de muita da música experimental alemã dos anos 60 e 70, com influência em artistas como Iggy Pop, ou grupos como os Joy Division ou Primal Scream. Jacob Frössén traça aqui a história de Dinger e a hipótese de um trauma amoroso ter estado por detrás da criação dessa célebre batida.

Podíamos descrever o apache beat do lendário baterista alemão Klaus Dinger como a repetição do 4:4 num padrão melódico que parece infinito; se o fizéssemos estaríamos a reduzi-lo à sua vertente mais mecânica. Através de imagens tão ou mais incomuns que o próprio Dinger, acompanhadas pela contrastante narração de Kim Gordon, somos convidados a descobrir a história de amor que influenciou alguns dos incontornáveis da cena rock alemã da década de 70. The Heart is a Drum é não só um filme sobre o processo criativo que acompanhou Dinger entre os Kraftwerk e os Neu!, mas também sobre o (des)amor que o alimentou. (Filipa Henriques)

SOA

Estamos rodeados por todos os tipos de sons, mas qual o grau de consciência que temos deles? A realizadora e investigadora Raquel Castro tem trabalhado, a partir do conceito de paisagem sonora, a forma como os sons, os silêncios, os ruídos, as frequências, e todos os espectros sonoros – do infra ao ultra-som – caracterizam cada lugar e nos afetam e transformam. Um filme ensaio também sobre cidadania, ecologia e responsabilidade pelo som que geramos.


Imagine-se um outro mundo sem som. Imagine-se ao menos que, como no nosso mundo, não fosse a momentânea ausência de som que o definisse. Eis o que SOA interpela: a ubiquidade do som, desde a mais simples actividade humana hodierna à mais antiga prova de existência de vida. Afinal, se Deus ditou que se fizesse luz, tê-la-á precedido o som da Sua voz. SOA é uma viagem de questionamentos sobre a heterogeneidade do som e, de par com a geografia da complexidade humana, sobre as suas itinerâncias – e sobre nossa capacidade de o escutar. (Filipa Henriques)

Show Me the Picture: The Story of Jim Marshall

Muito do que conhecemos da mitologia musical e contracultura dos anos 60 devemos às imagens e ao talento fotográfico de Jim Marshall. São dele algumas das fotografias mais conhecidas de músicos como Bob Dylan ou The Rolling Stones. E ainda momentos marcantes como o último concerto dos The Beatles, os concertos de Johnny Cash na prisão de Folsom ou Jimi Hendrix a queimar a sua guitarra. Esta é a crónica de vida de um artista ímpar, do lado de cá da sua câmara.

“Eu vejo mesmo a música. Esta carreira nunca foi só um emprego, foi a minha vida.”

Jim Marshall – o fotógrafo do rock n’roll – é autor de emblemáticas imagens da história da música. Jimi Hendrix em palco com a guitarra em chamas, Miles Davis sentado num ringue de boxe, o jovem Bob Dylan a andar atrás de um pneu em Nova Iorque, Johnny Cash com o dedo médio espetado para a câmara, Janis Joplin em casa, ou The Beatles no seu último concerto. São inúmeros os momentos captados por Marshall que se tornaram famosos. Um homem de temperamento intenso, vida de excessos e luta contra alguns demónios interiores, que era amado ou odiado, sem meio-termo. “Se ele te amasse, atirava-se para a frente de um camião por ti. Se ele te odiasse, atropelava-te alegremente com o camião”, refere Amelia Davis, responsável pelo arquivo de Jim Marshall.

O retrato do fotógrafo que viveu e morreu como uma autêntica rockstar que nos mostra o seu trabalho e alguns dos mais importantes momentos da música. (Helena César)

Ricardo

Em 2014 um gajo apareceu de calções coloridos em palco, para uma performance durante o concerto dos Sensible Soccers no festival Paredes de Coura. Desde aí nunca mais foi esquecido. Mas quem é ele? Ricardo é um mockumentary sobre Ricardo. 

Quem é Ricardo? Não se sabe bem, embora seja também conhecido como o gajo dos calções coloridos. Reza a história que em 2014 apareceu de calções coloridos em palco, para uma performance artística durante o concerto dos Sensible Soccers no festival Paredes de Coura. Desde aí nunca mais foi esquecido. Ricardo é um mocumentário sobre o bailarino Ricardo Bueno e o drama de se esquecer do seu passo de dança. Sofrendo por você, Ricardo. (Carlos Ramos)

 

Other, Like Me

Em 1970, na cidade de Hull em Inglaterra, nasceu um colectivo artístico que iria desafiar o mundo da arte. COUM Transmissions, liderado pelos artistas Genesis P-Orridge and Cosey Fanni Tutti, trabalhavam na área da performance, desafiando os limites impostos aos temas do sexo, pornografia e violência. Quando se viraram para a música criaram a banda Throbbing Gristle, precursora da electrónica industrial. Este é um documentário sobre o seu trabalho.

No ano em que o mundo viu desaparecer, com 70 anos, Genesis P-Orridge, fundador dos pioneiros COUM Transmissions e Throbbing Gristle, que se assumia como um ser “pandrógino” na sequência de uma peculiar intervenção cirúrgica de fusão corporal com a sua mulher, este filme conta, pela primeira vez, a história destas bandas através das palavras do próprios elementos. Um grupo de artistas e músicos que trabalharam em diversas vertentes ao longo de muitos anos e que estiveram na génese da música industrial, na Inglaterra da década de 70. A principal ideia era fundir a arte com a vida e defender a libertação pessoal completa – a qualquer custo. Adoptaram novas identidades, levaram a arte ao limite, inventaram um novo género musical, confrontando tabus sobre o sexo, a moralidade e o lado sombrio do ser humano. Toda uma postura e acções que causaram indignação e escândalos na imprensa e na opinião pública e a acusação por parte de políticos de serem “os destruidores da civilização”. Um filme sobre um marco indiscutível na génese da música industrial e nas artes em geral. (Helena César)

 

Batida de Lisboa

A dupla portuguesa Rita Maia e Vasco Viana apresenta, em estreia mundial, “Batida de Lisboa”, uma viagem pelos subúrbios da capital. Neste documentário cheio de ginga, os realizadores dão-nos a conhecer a vida de uma série de músicos que vivem numa cidade com complexas lutas de identidade e que nem sempre lhes dá o devido reconhecimento. Aqui encontram-se diferentes gerações e origens, de Angola a São Tomé, de Cabo Verde à Guiné Bissau, representadas por antigos músicos de renome e jovens produtores cheios de energia.

Where Does A Body End?

Os Swans, na figura do seu mítico líder Michael Gira, são uma das bandas mais marcantes das últimas décadas pelo modo como souberam reinventar-se, passando do noise rock ao post-punk, pelo industrial e o sucesso do indie-rock dos anos 1990. O realizador Marco Porsia acompanha a banda desde 2010 e descobriu centenas de horas de material de arquivo inédito da primeira fase da banda. “Where Does a Body End?” é o primeiro documentário autorizado sobre os Swans e acompanha-os naquela que foi a sua última digressão, depois de uma extraordinária carreira de 35 anos. Em estreia mundial no IndieLisboa.

Um Punk Chamado Ribas

João Ribas é sinónimo de punk e, em Portugal, punk é sinónimo de João Ribas. Nome incontornável da música nacional e um dos principais impulsionadores do punk no nosso país. Esteve na origem de várias bandas importantes, como os Ku de Judas, os Censurados e os Tara Perdida. Influenciou várias gerações de jovens músicos mas sempre rejeitou a ideia de ser um ícone da música. “Um Punk Chamado Ribas”, de Paulo Antunes, conta com a participação de colegas, amigos, familiares e radialistas, fazendo um retrato do músico e prestando-lhe a devida homenagem.