Batida de Lisboa

A dupla portuguesa Rita Maia e Vasco Viana apresenta, em estreia mundial, “Batida de Lisboa”, uma viagem pelos subúrbios da capital. Neste documentário cheio de ginga, os realizadores dão-nos a conhecer a vida de uma série de músicos que vivem numa cidade com complexas lutas de identidade e que nem sempre lhes dá o devido reconhecimento. Aqui encontram-se diferentes gerações e origens, de Angola a São Tomé, de Cabo Verde à Guiné Bissau, representadas por antigos músicos de renome e jovens produtores cheios de energia.

Western Spaghetti

A animação colorida de Isabel Aboim Inglez tem uma origem, quadro a quadro, ou frame a frame, se preferirem, na complexa montagem do cinema das cenas breves. As tardes infantis (antes da electrónica e dos telemóveis) eram assim. Uma colina de revistas ‘Condor’, um batalhão de cowboys, do lado de lá, outro, de índios ávidos de setas e de sangue. Um gira-discos portátil a tocar Ennio Morricone. Ou melhor ‘Western Spaghetti’ (‘Murdering the Classics’).

Where Does A Body End?

Os Swans, na figura do seu mítico líder Michael Gira, são uma das bandas mais marcantes das últimas décadas pelo modo como souberam reinventar-se, passando do noise rock ao post-punk, pelo industrial e o sucesso do indie-rock dos anos 1990. O realizador Marco Porsia acompanha a banda desde 2010 e descobriu centenas de horas de material de arquivo inédito da primeira fase da banda. “Where Does a Body End?” é o primeiro documentário autorizado sobre os Swans e acompanha-os naquela que foi a sua última digressão, depois de uma extraordinária carreira de 35 anos. Em estreia mundial no IndieLisboa.

Um Punk Chamado Ribas

João Ribas é sinónimo de punk e, em Portugal, punk é sinónimo de João Ribas. Nome incontornável da música nacional e um dos principais impulsionadores do punk no nosso país. Esteve na origem de várias bandas importantes, como os Ku de Judas, os Censurados e os Tara Perdida. Influenciou várias gerações de jovens músicos mas sempre rejeitou a ideia de ser um ícone da música. “Um Punk Chamado Ribas”, de Paulo Antunes, conta com a participação de colegas, amigos, familiares e radialistas, fazendo um retrato do músico e prestando-lhe a devida homenagem.

We Intend to Cause Havoc

Nos anos 1970 a banda mais popular da Zambia eram os Witch, os The Beatles da África central. Com uma mistura de rock psicadélico e ritmos africanos, eles atraiam multidões que dançavam sem limites. Os anos passaram e deles ficaram apenas a nostalgia e as gravações. O vocalista, Emmanuel Chanda, começou a trabalhar nas minas, sonhando encontrar um filão, e nunca mais subiu aos palcos. Mas em 2016, o artista Jacco Gardner conseguiu entrar em contacto com ele e gravaram um novo álbum. Há coisas que nunca se esquecem e ser uma lenda da música é uma delas. Em estreia mundial no IndieLisboa.

Teddy Pendergrass: If You Don’t Know Me

Teddy Pendergrass foi o primeiro músico negro a receber cinco álbuns de platina consecutivos numa ascensão meteórica que deu ao mundo canções como ‘Don’t Leave Me This Way’ ou ‘Close the Door’. Em “If You Don’t Know Me”, combinando os doces rítmos das suas canções com entrevistas de amigos e admiradores, percorremos a carreira do maior artista do R&B, a quem chegaram a chamar «black Elvis», ao longo dos convulsos anos anos 1970 até ao acidente de carro que, em 1982, o deixou paralisado (com 31 anos). Mas nem isso o impediu de continuar a cantar!

Revolutionary Dogs

A abstracção urbana como estímulo para a compreensão do movimento em falso. O artista plástico Xavier Almeida filma a cores, quase uma tela, um véu, sepia antigo, sobre o jazz de uma cidade que trabalha e se diverte, como os Rollana Beat já o haviam feito em 2000. Existe um ponto que não é final, uma mancha que atenua, perturba ou clarifica o nosso ente social. The smoke city with a dot.

Miles Davis: Birth Of the Cool

Trompetista, líder, inovador. O homem que inventava sons que partiam o coração de tão belos. Rompia com as convenções, desrespeitava tradições, mas a sua visão, os seus implacáveis impulsos e sua constante sede de novas experiências fizeram dele uma inspiração para músicos e um ícone cultural para gerações de ouvintes. Foi inovador – do bebop ao “cool jazz”, quintetos modernos, música orquestral, jazz fusion, rock ‘n roll e até hip-hop. O filme mostra imagens inéditas, outtakes de estúdio e fotos raras.

Murdering Raymond Scott

Com a ajuda dos Rollana Beat, a realizadora Aya Koretzky assassina um dos mestres da repetição electromagnética aplicada ao som musical. Uma pasta lenta e morna, inexorável e viscosa, invade e vai tomando conta de tudo, do pouco que resta do compositor-inventor. A partir do canto superior esquerdo. Um mergulho vermelho sobre o epitáfio fotográfico. O sorriso afundado e um ponto final na canção retirada de ‘Big Sneeze’.

Parallel Planes

Por vezes fica-se com a sensação de que a música que passa nas rádios é toda igual, um produto industrial criado em laboratório para optimizar o consumo. Em “Parallel Planes”, a realizadora Nicole Wegner organiza um documentário ensaístico sobre a independência no mundo da música, retratando 12 músicos norte-americanos de diferentes géneros. Entre eles, Michael Gira (Swans), Ian MacKaye (Minor Threat, Fugazi) ou Jamie Stewart (Xiu Xiu). Um filme que encara a música como ferramenta para criticamos a política e a sociedade, mas também como forma de nos ligarmos uns aos outros.

Jack Plays Trombone at the Underground Station

A cineasta Inês Oliveira vai buscar a canção à maquete dos Rollana Beat de 1998 e transporta-a, subvertendo-a, para o abrigo quente mas populoso do metropolitano de Londres durante o Blitz de 1940-1941. Enquanto as sucessivas imagens a preto e branco relatam a possibilidade de concórdia por baixo da terra e dos bombardeamentos nazis, o riso nervoso da voz que persegue Jack devolve-nos a neurótica e instável realidade.

John and Yoko: Above Us Only Sky

“John and Yoko: Above Us Only Sky” conta a história desconhecida de como a música ‘Imagine’, de John Lennon, foi criada. Editada em 1971, esta canção, que se tornou ícone de paz e do respeito entre culturas, esconde uma bela história de amor. Com base na demo original da música (que nunca tinha sido ouvida antes) e em entrevistas inéditas do ex-Beatle, este documentário descreve o modo como a relação de John e Yoko Ono os levou a uma profunda exploração artística e política. Como diz a artista japonesa, no filme, «No fundo, eu e o John encontrámo-nos para fazer esta canção».

Just What the Doctor Ordered

Para o cineasta Edgar Pêra, a sua viagem à China, filmada em Super8 colorido, “My Trip to China”, reflectiu-se nos instantes de escadarias em movimento, de ruas que se atravessam a passo lento e bicicletas perpendiculares às passagens de peões. Também no circular parado da multidão nas cidades proibidas, dos anúncios luminosos, do sol vermelho que se deita. Até o som de ‘Just What the Doctor Ordered’ (‘Murdering the Classics’) é distendido, distorcido, quase parodiado, pela voz sincopada da língua chinesa.

Leto

Viktor Tsoi foi um dos músicos que co-fundou a Kino, uma das bandas mais populares e musicalmente influentes da história da música russa. O realizador Kirill Serebrennikov baseia-se na vida (pouco conhecida) do cantor para nos transportar para os verões quentes dos anos 1980, em Leningrado, quando ouvir Sex Pistols, Clash ou Blondie era ilegal na União Soviética. Um filme que descreve os encontros, confrontos e paixões que mudaram a história do rock na Rússia. “Leto” foi considerado, pela reputada revista Cahiers du cinèma, como um dos melhores filmes de 2018.

Fire Music

Tudo começou com John Coltrane, Ornette Coleman e o génio do piano, Cecil Taylor, cujos grupos tonais pouco ortodoxos e a libertação das regras da harmonia estabeleceram uma nova linguagem musical. Foi a revolução do free jazz, e “Fire Music” conta a história deste momento revolucionário. Tom Surgal foca-se no chamado Grupo de Chicago (Albert Ayler, Eric Dolphy, Sam Rivers, Sun Ra & His Arkestra), descobrindo imagens de arquivo reveladoras e testemunhos tocantes. Um tributo livre e selvagem como o free jazz merecia. Em estreia internacional no IndieLisboa.

Garbage Grows For Our Distractions

A vida não anda fácil para quem chega do espaço cideral cheio de boas intenções e com um carrinho azul na mão. O planeta está cheio de big brothers de olhares cruzados e vermelhos. Um spectrum game de onde é difícil escapar. O melhor é sintonizar o ecrã e regressar ao firmamento. Dedo Mau prefere as cores primárias para se evadir no interior do cinema de animação, programático mas delirante, dentro da faixa extraída de ‘Big Sneeze’.

Garland

A abstracção gárrula do filme que Bruno Borges executa sobre a trama musical sincopada, quase histérica, quase bruta, de ‘Garland’ (‘Murdering the Classics’), é provocadora de uma sintonia dicotómica e sincrética que ocupa todo o espaço criativo da visão do espectador. Digamos, toda a violência que um adulto pensa estar envolvida na ideia infantil do super-herói. Ou seja, o adulto infantil, a preto e branco. O riso e o medo.

He Ain’t Got Rhythm!

O ilustrador Gonçalo Duarte liberta a banda desenhada sobre a animação do cinema, inverte as cores e transforma a tela numa ardósia onde as linhas desenhadas sugerem o giz agreste da infância. As vozes múltiplas, um caixão e um telefonema que se evade pela janela. Sobre a mancha que desvanece e transforma a cobra em pássaro, a flor em ruído urbano. O negro como princípio vital do ritmo.