Vendrá la muerte y tendrá tus ojos

José Luis Torres Lleiva

IndieLisboa 2020 •

Ficção, 2019, 90′

O que acontece quando soubermos que vamos morrer? A luz mudará? Os pássaros piarão mais intensamente? A morte vem habitar a relação de duas mulheres, juntas há muito tempo. Uma delas doente terminal, a outra irá ficar e deve cuidar. Os dias passam nessa atmosfera de despedida. Numa pequena casa de bosque permanecem o amor das duas, as conversas, o toque dos corpos, a memória. Mas, implacável, o desespero vai cavando fundo os rostos no grande plano.

Duas mulheres reais, dois rostos, um beijo, um abraço. Esta demonstração de amor absoluto lança o filme de Torres Lleiva numa torrente de emoções. Percebemos um mal à l’aise constante que contamina a relação mas não sabemos porquê. Estamos convidados para o meio de uma relação como confidentes. A partir de um momento percebemos tratar-se de uma doença, essa “coisa” instalada que mata e não vai desaparecer. E é aqui que tudo se ajusta, com avanços e recuos, como é próprio da incerteza. São raros os filmes que criam nós que não deslaçam, mas em que a sua ternura permite que qualquer lampejo que surge seja uma tábua de salvação. E é por isso que o filme inclui histórias de outros tempos que nos ajudam a compreender o seu presente. Este cinema de Lleiva é repleto de planos de rosto e de corpos exauridos, e mostra que mesmo na dor é possível mostrar sensualidade. Vendrá la muerte e tendrá tus ojos é daqueles filmes em que apetece ficar para toda a eternidade. (Miguel Valverde)

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