Keyboard Fantasies: The Beverly Glenn-Copeland Story

Posy Dixon

IndieLisboa 2020 •

Documentário, 2019, 63′

Beverly Glenn-Copeland escreveu e lançou, a partir do seu estúdio caseiro em Huntsville, Ontario, o álbum de folk eletrónico Keyboard Fantasies em 1976. Apesar de inovadora em muitas das sonoridades a cassete caiu no esquecimento. Três décadas depois, graças à cortesia de um colecionador de raridades japonês, o disco foi reeditado e conheceu finalmente o seu público. E eis que, o agora músico Glenn-Copeland, começa a sua primeira tournée aos 74 anos.

Keyboard Fantasies não é o disco mais óbvio – nem mesmo para apreciadores de um espectro de música entre a folk e a ambient. Ouçamo-lo de uma ponta à outra, com menor ou maior atenção, e pouco saberemos dizer sobre Beverly Glenn-Copeland. A delicadeza do jogo de beats, os silêncios, a sua voz terna – nada disto nos diria que Beverly era um rosto da luta pelos direitos LGBT no Canadá dos anos 70, uma era em que sê-lo era um crime punido por lei. Da sua música, poderíamos dizer que nos cativa pelo equilíbrio, também ele espelhado na forma como nos revela a sua história de vida e da sua música, através de um disco reconhecido apenas três décadas depois da sua primeira edição. Uma história de luta, coragem e de sabedoria espiritual: a constante renovação de nós próprios (“We are ever new”). (Filipa Henriques)