Eyimofe

Arie Esiri, Chuko Esiri

IndieLisboa 2020 •

Fiction, Ficção, 2020, 115′

Todos os anos Nollywood, a Hollywood nigeriana, produz cerca de mil filmes. Destes quase nenhuns viajam para fora de África. Caso diferente para a primeira longa metragem dos irmãos gémeos Esiri que, a partir de duas histórias, em certo sentido também elas gémeas, abordam o desejo de sair para a Europa. Mofe, um homem que faz reparações numa fábrica e Rosa, empregada de bar e cabeleireira, procuram uma saída da colorida e aprisionante capital, Lagos.

O desejo que move duas histórias autónomas cruza-se na esperança comum das suas personagens de migrarem para outro país. Espanha e Itália são as duas partes do filme, duas cidades-sombras (ou cidades-sóis) que nunca se chegam a materializar no filme em ruas que as personagens possam percorrer. Não conseguem sair de uma vibrante e desigual Lagos: a jornada de Mofe e Rosa é o centro da acção – dos desesperantes impedimentos financeiros e burocráticos às tragédias pessoais que, note-se, os irmãos Esiri nunca deixam cair no dramatismo excessivo, nesta forte primeira obra para cinema. Mofe e Rosa querem um futuro melhor para o seu núcleo, mas o que o filme questiona é se essa Europa-futuro não será mais que uma ilusão e se Lagos não será igualmente decepcionante. Procura-se o desejo de Mofe e Rosa e o território a que pertence. (Mafalda Melo)