Cemetery

Carlos Casas

IndieLisboa 2020 •

Documentário, 2019, 85′

Nga é um elefante velho e cansado e Sanra o seu fiel guia. Podia ser o início de um filme da Disney, mas não. Antes um filme de aventuras em slow motion? Casas fará o espectador devir elefante, comungando do seu olhar impassível e sereno. É uma viagem em que homem e animal buscarão o mítico cemitério dos elefantes, onde aquele poderá acabar os seus dias. Mas é sobretudo um filme cosmológico, sobre a morte, a reencarnação, a hipótese do não humano.

Cemetery segue o percurso de Nga, um elefante do Sri Lanka que inicia uma viagem até ao cemitério dos elefantes, à medida que o planeta terra entra num colapso apocalíptico pela mão de catástrofes naturais. Numa aventura de ritmo lento, a natureza deixa de ser o pano de fundo da vida humana, e torna-se a entidade sensível, pensante, que comunica através da matéria sonora e visual do filme. A rádio comunica que um violento terramoto deixa a Ásia devastada, matando milhares de pessoas. A partir daqui o filme inicia uma viagem de três partes em direção a uma com­preensão cosmológica do espaço após a calamidade e a consequente extinção de espécies. Encontrar o cemitério de elefantes, mergulhando na escuridão, significa iniciar uma espé­cie de renascimento. Temas como morte, reincarnação, imortalidade, são abordados, mas também memória, colonialismo e colapso da civilização.

Cemetery é uma odisseia sobre o desconhecido, o não-explorado, este cemitério de elefan­tes – talvez uma espécie de shangri la. (Inês Lima Torres)