O Mar Enrola na Areia

‘Catitinha’ vagueava pelas praias portuguesas, nos anos 1950. De barbas brancas e apito, atraia as crianças do areal. Catarina Mourão (de quem exibimos “Pelas Sombras” e “A Toca do Lobo”) descobriu 4 segundos de película com ele, mas isso torna-o mais real?

A Toca do Lobo

Catarina Mourão tem-se afirmado como um dos olhares mais delicados do cinema português. Depois de “Pelas Sombras”, um retrato da artista Lourdes Castro exibido no Indielisboa 2010, a realizadora centra-se agora numa outra figura da vida cultural portuguesa: o escritor e seu avô Tomaz de Figueiredo. Um olhar que abre as portas secretas de uma vida que deixou apenas o seu trabalho para a memória dos seus filhos e dos seus netos, tal como de uma família que se viu separada pela sua morte e marcada pelo dia-a-dia de um país ditatorial – um país duramente percorrido por quem escreveu sobre ele. Na sua antiga casa, vivem os segredos e os acontecimentos que nos falam, hoje, por um quarto fechado à chave – um quarto aberto pela câmara da realizadora e pelo movimento deste filme: a nossa intimidade.

Pelas Sombras

“Vem ver a pintura que estou a fazer. Um bocado grande, não cabe em museu nenhum. E tão pequena, tão pequenina que todos que passam por aqui nem dão por isso. Uma tela com forma esquisita. O que vale é que não é preciso esticá-la. Por si só, ela está sempre pronta a receber pinceladas, ventos, estações, chuva, sol….”.

Ê Flor da Pele

Esta é a história do Verão de Rui, um rapaz de 13 anos que, ao contrário da maioria dos miúdos da sua idade, não gosta de futebol nem de lutas. Rui vive num bairro pobre no Porto, e faz parte de um grupo de crianças entre os 8 e os 14 anos. Com os pais raramente em casa, eles têm espaço e liberdade para inventar os seus próprios jogos e as suas próprias regras. Mas este é também um Verão especial, o verão do Euro 2004 e da possível vitória da selecção portuguesa. Crianças e adultos aguardam com expectativa, as emoções estão à flor da pele. As televisões são colocadas no exterior e os jogos são seguidos por todos como se de um ritual religioso se tratasse.