Seus Ossos e Seus Olhos

Em 2013, com “O Que se Move”, Caetano Gotardo emocionou uma plateia inteira e quase venceu o prémio do público e o ano passado, com a curta “Merencória”, os casais separavam-se e reuniam-se no entrelaçar de uma balada triste. Agora, com “Seus Ossos e Seus Olhos”, o realizador (e também argumentista, montador e protagonista) lança-nos mais uma vez no baile dos sentimentos, por entre lençóis suados, conversas de sofá, confissões e passeios pela rua. Na tradição de Rohmer ou Sang-soo, mas numa perspectiva queer, este é um filme que nos toca, com a mão aberta, o peito despido.

 

Batida de Lisboa

A dupla portuguesa Rita Maia e Vasco Viana apresenta, em estreia mundial, “Batida de Lisboa”, uma viagem pelos subúrbios da capital. Neste documentário cheio de ginga, os realizadores dão-nos a conhecer a vida de uma série de músicos que vivem numa cidade com complexas lutas de identidade e que nem sempre lhes dá o devido reconhecimento. Aqui encontram-se diferentes gerações e origens, de Angola a São Tomé, de Cabo Verde à Guiné Bissau, representadas por antigos músicos de renome e jovens produtores cheios de energia.

Berço

A relação entre uma mãe e o filho, que vivem num veleiro, é perturbada pela chegada ao porto dum grupo de jovens que faz uma festa na embarcação adjacente. A mãe percebe que o filho vê neles uma promessa duma adolescência que nunca teve.

We Intend to Cause Havoc

Nos anos 1970 a banda mais popular da Zambia eram os Witch, os The Beatles da África central. Com uma mistura de rock psicadélico e ritmos africanos, eles atraiam multidões que dançavam sem limites. Os anos passaram e deles ficaram apenas a nostalgia e as gravações. O vocalista, Emmanuel Chanda, começou a trabalhar nas minas, sonhando encontrar um filão, e nunca mais subiu aos palcos. Mas em 2016, o artista Jacco Gardner conseguiu entrar em contacto com ele e gravaram um novo álbum. Há coisas que nunca se esquecem e ser uma lenda da música é uma delas. Em estreia mundial no IndieLisboa.

Sacavém

Não é o rotineiro documentário sobre um artista, neste caso o cineasta Pedro Costa, nem tão pouco uma visão equilibrada da sua obra. Entre outros méritos, Sacavém dialoga com essa figura maior do cinema contemporâneo sem recorrer às habituais cauções (depoimentos de terceiros, evocação de prémios e reconhecimento crítico, etc.) ou procurar mimetizar o seu cinema. Júlio Alves encontra a distância justa para ler essa obra sem o peso da reverência ou do pastiche, ligando algumas personagens e objectos recorrentes desde Casa de Lava ao seu próximo filme, mostrando a continuidade entre a visão do realizador e o mundo que lhe serve de matéria e iluminando a singular forma de realismo assombrado por fantasmas e memórias que atravessa o cinema de Pedro Costa. A presença esquiva do próprio no filme de Júlio Alves é também ela exemplar de uma ética de trabalho solitária e artesanal de que os filmes são o testemunho mais eloquente. (N.S.)

Ela é uma Música

O universo das guitarras amplificadas e do som distorcido é um meio maioritariamente masculino. Mas se escutarmos melhor e com mais atenção, a história é outra. Dos anos 1950 até à actualidade, a realizadora Francisca Marvão abre o baú dos testemunhos vivos e dele começam saltar imagens e sons que nunca antes haviam entrado no cânone da música portuguesa. As miúdas andam por aí… a rockar como se não houvesse amanhã! “Ela é uma música” é uma viagem de descoberta pelo mundo do rock em Portugal, na voz das suas ilustres desconhecidas: as mulheres.