Debaixo do Céu

Nicholas Oulman realizou, em 2009, o documentário Com Que Voz sobre o seu pai, Alain Oulman. O clã Oulman é de origem judaica e em Debaixo do Céu o realizador traça uma história sobre o êxodo que fez milhões de judeus rumarem a sul, aquando da ascensão de Hitler. Baseando-se nas memórias de alguns sobreviventes (hoje com cerca de oitenta anos) este é um filme que descreve os périplos de uma crise de refugiados que encontrou (para mais de 100 mil) um porto seguro em Portugal. Composto totalmente por imagens de arquivo, este é um documentário que ilumina uma área cinzenta da história de Portugal e da Europa.

O Passageiro

A partir da biblioteca labiríntica de Fernando Pessoa, O Passageiro de Luís Alves de Matos(Refúgio e Evasão, IndieLisboa 2014) procura nos livros de outros as memórias e os espaços do poeta.

Raiva

Sérgio Tréfaut (Lisboetas, Alentejo, Alentejo e Treblinka venceram a competição nacional do festival) realiza a sua segunda longa de ficçãodepois de Viagem a Portugal (IndieLisboa 2011). Estamos no Alentejo, nos anos 50, e a planície é fustigada pelo vento, pelo desemprego e pela fome. As famílias ricas controlam a propriedade da terra e às famílias pobres só resta o desespero ou a revolta. Adaptando o clássico do neo-realismo português, Seara de Vento de Manuel da Fonseca, e fotografado pelo lendário Acácio de Almeida em preto-e-branco, o filme inclui um elenco de luxo com nomes como Catarina Wallenstein, Rogério Samora, Adriano Luz, Leonor Silveira, Isabel Ruth, Luís Miguel Cintra e Herman José.

As Horas de Luz

Os Olhos de André (IndieLisboa 2015) foi galardoado com o prémio de melhor filme da Competição Nacional. Já em 2008, a estreia na longa de António Borges Correia, O Lar, havia competido no festival. À imagem destes, e outros filmes do realizador, As Horas da Luz retrata os problemas do envelhecimento e da doença. Maria espera por uma operação às cataratas, que quase lhe tiraram a visão. Mas a sua dependência despertará nos vizinhos, e na filha distante, uma oportunidade de reatar laços perdidos. Um filme protagonizado por Paula Só, José Eduardo, Anabela Brígida e pela bela cidade de Vila Real de Santo António.

Quantas Vezes Tem Sonhado Comigo?

Partindo de actos escritos por Fernando Pessoa, os personagens passeiam pela cidade de Lisboa, tendo as ruas e as casas onde o poeta viveu como pano de fundo.

A Pedra Não Espera

O novo filme de Graça Castanheira vem associado ao projecto “Pedras Na Praça” que visa homenagear, em Évora, a obra criada para o espaço público pelo escultor João Cutileiro, de 81 anos, que reside na cidade. A realizadora, juntamente com o historiador Joaquim Caetano, dá a palavra ao artista que em francas e descontraídas conversas reflecte sobre o seu percurso. A par disso, viajamos pelo país ao encontro de alguns dos seus trabalhos mais conhecidos: a belíssima escultura do anti-herói D. Sebastião em Lagos, o monumental D. Afonso Henriques de Guimarães ou, claro, o provocador monumento ao 25 de Abril, no Parque Eduardo VII.

The Last Roar of a Mother Bear

The Last Roar of a Mother Bearé a extensão da curta metragem,The Roar of Mother Bear, que o IndieLisboa exibiu o ano passado no programa dedicado ao novo cinema macaense. O realizador, Doug Chan, nascido em Hong Kong, está radicado em Macau desde os cinco anos e quis com este filme “mostrar ao mundo de que nós, macaenses, conseguimos fazer muito mais para além do jogo”. Passada nos anos 90 (e baseada nas memórias do realizador), o filme retrata um polícia obsessivo (interpretado pelo próprio Chan) que procura desvendar a identidade de um assassino cujos homicídios distam onze anos entre si.

Sara

O IndieLisboa apresenta, em sessão especial, os dois primeiros episódios da série de Marco Martins (Como Desenhar um Círculo Perfeito e Traces of a Diary, IndieLisboa 2010) para a RTP. Beatriz Batarda interpreta Sara, uma actriz do cinema português conhecida pelo seu choro fácil e pelos seus papéis dramáticos. Mas um dia os seus olhos secam e também o seu interesse pelo cinema. A solução? As telenovelas. Com um elenco extraordinário e uma escrita hilariante, esta é uma sátira sem papas na língua ao meio audiovisual português à qual ninguém escapa: da senhora do guarda-roupa aos festivais de cinema.

Uma ideia original de Bruno Nogueira

Pass On

Pass Oné um documentário que explora as ramificações do ensino em casa, deixando a questão: que crenças pode um homem educado de forma simples passar à próxima geração?

Nunca as Minhas Mãos Ficam Vazias

Nunca as Minhas Mãos Ficam Vazias acompanha a descoberta da cidade de Lisboa pelo artista Faustin Linyekula, através do trabalho que desenvolveu durante 2017 com os alunos finalistas da ESTC e dos vários espectáculos que apresentou nas principais salas culturais da capital. O bailarino, coreógrafo e encenador congolês, que tem uma obra assumidamente política, mostra neste documentário como vive a dualidade da sua obra: apesar de denunciar a escuridão, ela parece procurar a luz. Como diz o próprio “uma pessoa tem de ser muito doida para acreditar teimosamente na celebração da beleza”.

O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta

O novo filme de Edgar Pêra (Herói Independente em 2006) é dedicado ao enorme Alberto Pimenta, focando-se, mais do que na sua poesia, na sua importância enquanto pioneiro da performance em Portugal. Quem nunca ouviu falar do histórico happening no Jardim Zoológico em 1977, quando Pimenta se trancou numa jaula (junto à dos macacos) com uma tabuleta indicando “Homem (Homo sapiens)”? O Homem-Pykante é, assim, um filme-performance (no estilo caleidoscópico do cinema de Pêra) que faz a devida homenagem a um dos mais importantes criadores portugueses, experimentador por natureza e inconformista político por convicção.

KaCha

Na animação KaCha, um menino está cheio de medo de se pôr nas mãos de um assustador barbeiro para fazer um corte de cabelo. Mas tudo muda quando o profissional revela as suas habilidades.

Mabata Bata

Baseado no conhecido conto de Mia Couto escrito em 1986, O Dia Em Que Explodiu Mabata Bata, esta é a adaptação do realizador Sol de Carvalho (produtor de Our Madness, presente na Competição Nacional) da história de Azarias, um jovem pastor órfão que um dia vê o seu melhor boi, Mabata Bata, explodir devido a uma mina terrestre deixada pelos combatentes da guerra que decorre no país. Este terrível acontecimento espoleta uma fuga para a floresta (por o rapaz temer represálias) seguido de um resgate, por parte da avó e do tio, que o tentam convencer a voltar.

Illegalist

Dois chineses trabalham ilegalmente em Macau: ele trabalha na construção civil, ela, prostitui-se. Illegalist é uma ficção, filmada num deslumbrante preto-e-branco, que descreve a progressiva intolerância para com o trabalho ilegal no território.

Between the Lies

Na era da grande fome, na China, Flower fica doente devido à desnutrição, o que leva o seu pai a roubar milho para a alimentar. Between the Lies é uma animação que explora as consequências devastadoras desse acto desesperado.

2+2=22 [The Alphabet]

2+2=22 [The Alphabet] é a primeira parte (de quatro) da série Streetscapes, com que Heinz Emigholz acrescenta um novo capítulo à série maior Photography and Beyond. Neste episódio, o realizador organiza uma reflexão que cruza três dos seus interesses e revela a singularidade do seu olhar: a cacofónica arquitectura de Tbilisi num luminoso dia de Verão, um elegante estúdio de música onde a banda Kreidler grava o álbum ABC e o diário do próprio Emigholz que, ao ser folheado, revela bilhetes de filmes, recortes de catálogos, cartas e pensamentos.

AAA

Será que um lobo e três porquinhos nos ajudam a combater a preguiça?

Bickels [Socialism]

No segundo tomo da série Streetscapes, Heinz Emigholz centra-se no trabalho do arquitecto Samuel Bickels. Visitamos 22 dos seus edifícios em Israel, muitos dos quais abandonados ou reconvertidos, espelhando o declínio dos ideais socialistas que os originaram. Bickels [Socialism] é um filme que reflecte sobre a ascensão e falência das utopias urbanísticas: no prólogo, o centro cultural Casa do Povo, em São Paulo, organiza uma exibição deste mesmo filme; no epílogo, recorda-se a comunidade israelita Vio Nova, exterminada durante a ocupação alemã nos anos 1940.