Seus Ossos e Seus Olhos

Em 2013, com “O Que se Move”, Caetano Gotardo emocionou uma plateia inteira e quase venceu o prémio do público e o ano passado, com a curta “Merencória”, os casais separavam-se e reuniam-se no entrelaçar de uma balada triste. Agora, com “Seus Ossos e Seus Olhos”, o realizador (e também argumentista, montador e protagonista) lança-nos mais uma vez no baile dos sentimentos, por entre lençóis suados, conversas de sofá, confissões e passeios pela rua. Na tradição de Rohmer ou Sang-soo, mas numa perspectiva queer, este é um filme que nos toca, com a mão aberta, o peito despido.

 

 

Os Jovens Baumann

1992. Os últimos herdeiros da prestigiada família Baumann, do sul de Minas Gerais, desaparecem sem deixar rasto. 2017. Uma caixa com cassetes VHS é encontrada, contendo registos dos seus últimos momentos, durante as férias na casa da família. Através da compilação desses arquivos familiares, o filme reorganiza os fragmentos de um mistério até hoje sem solução. A primeira longa de Bruna Carvalho Almeida (após trabalhar como montadora, nomeadamente em “Fabiana”, também presente no festival) é um enigmático filme de fantasmas. Em estreia europeia no IndieLisboa.

Vigília

Rafael Urban (prémio Onda Curta no IndieLisboa 2012 com “Ovos de Dinossauro na Sala de Estar”) documenta o grupo de pessoas que, a menos de 100 metros da cela onde Lula da Silva está encarcerado, fazem uma vigília nas vésperas das últimas eleições.

A Noite Amarela

“A Noite Amarela” é, nas palavras do realizador, um «slasher espiritual». Um grupo de adolescentes vai passar férias numa ilha isolada e quase inabitada e, um a um, começam a desaparecer. Só que não há sangue e o assassino é, possivelmente, um espectro quântico. Os jovens são assolados por visões, «memórias de um sonho futuro», e as fotografias nos seus telemóveis corrompem-se. Aquilo que era para ser a celebração da juventude transforma-se numa angustiante busca pela noite dentro. Um amanhã que nunca chega e um passado que se esquece. Metáfora de uma geração, de um país?

Sete Anos em Maio

Affonso Uchôa (vencedor do Prémio Especial do Júri no indieLisboa 2017 pela longa “Arábia”) dá-nos a conhecer a história de Rafael numa noite interminável, junto à fogueira, em longos monólogos: um dia invadiram-lhe a casa e ameaçaram-no de morte, no outro a sua vida mudou para o pior.

Tea for Two

Conhecemos a actriz Julia Katharine o ano passado em “Lembro Mais dos Corvos” (uma das longas vencedoras do festival em 2018), “Tea for Two” é a sua estreia na realização: sobre uma realizadora, em crise de meia idade, dividida entre duas mulheres.

A Rosa Azul de Novalis

Depois de vencer o Grande Prémio do festival, o ano passado, com “Lembro Mais dos Corvos”, Gustavo Vinagre regressa ao IndieLisboa com uma co-realização com Rodrigo Carneiro (estreante na realização, após uma carreira como montador). À imagem do filme anterior, este é um documentário biográfico altamente encenado onde lenda e facto se fundem na figura de Marcelo Diorio, anfitrião do seu ânus aberto e das suas vidas passadas. Aqui, os seus traumas (os abusos, o HIV) fazem-se tragicomédia literária e o seu charme subversivo não deixa ninguém indiferente.

Democracia em Vertigem

Petra Costa (“Olmo e a Gaivota”, IndieLisboa 2016) confessa, «tenho aproximadamente a mesma idade que a democracia no Brasil.» A partir daqui inicia uma reflexão, entre o pessoal, o político e o poético, sobre a paisagem governamental do seu país à luz dos presentes volte-faces. Com acesso sem precedentes a Dilma Rousseff e Lula da Silva, a realizadora explora a ascensão e queda de ambos os líderes. Um documentário ensaístico, estreado este ano no festival de Sundance, que serve de aviso para a fragilidade dos sistemas democráticos às forças do populismo.

Temporada

Juliana acaba de chegar a Belo Horizonte para integrar uma equipa de combate ao mosquito da dengue. Enquanto espera que o marido se junte a ela na nova cidade, Juliana conhece pessoas e faz amigos. Uma viagem tocante pelo quotidiano dos afectos no estilo doce de André Novais Oliveira (regressa ao IndieLisboa depois da longa “Ela Volta na Quinta” e das curtas “Quintal” e “Pouco Mais de Um Mês”). Estreado em Locarno, o filme foi o grande vencedor do Festival de Brasília consagrando o realizador como uma das mais interessantes jovens vozes do cinema brasileiro.

Reforma

Francisco sai com um rapaz diferente todos os dia mas confessa à amiga Flávia que está insatisfeito com a sua gordura: “Reforma”, escrito, realizado e protagonizado por Fábio Leal, é um doce e intimista retrato do corpo e do sexo.

Mais Triste que Chuva num Recreio de Colégio

O filme de Lobo Mauro encontra paralelos entre desvios orçamentais da renovação do estádio do Maracanã para o Mundial de 2014 com a derrota contra a Alemanha, a reforma trabalhista de 2017 e a votação que depôs Dilma Rousseff.