La niña santa

Logo em 2004 o IndieLisboa exibiu La niña santa, a segunda longa de Lucrecia Martel, em competição. Protagonizado por duas adolescentes, Josefina e Amalia (interpretada por María Alché, que se tornaria também realizadora e cuja curta Noelia receberia o prémio de melhor ficção no IndieLisboa 2013), este é um filme onde o sexo e a religião andam de mãos dadas, quando a vocação religiosa se emaranha no desejo. Baseado nas memórias de infância de Martel e produzido por Pedro Almodóvar, o filme viria a estrear no Festival de Cannes, firmando o nome da realizadora nos lugares cimeiros do cinema mundial.

Historias Breves I: Rey muerto

Na pequena aldeia deRey Muerto, no noroeste da Argentina, uma mulher foge, com os seus três filhos, de um marido violento. O filme faz parte de um filme-compilação, Historias Breves I, resultante do primeiro apoio do instituto de cinema argentino que foi peça fundamental do “novo cinema” do país (o qual o IndieLisboa destacou, em 2005, como Herói Independente).

Zama

O regresso de Lucrecia Martel à longa, depois de quase uma década de interrupção, adapta o romance de Antonio Di Benedetto escrito em 1956, sobre Don Diego de Zama, um oficial de Espanha do século XVII. Mas em Zama o regresso ao passado é um movimento irreverente, anti-historicista e profundamente subversivo. Uma viagem delirante a um passado onde se encontra o gérmen de uma identidade latino-americana fundada nos modos do colonialismo. Esta co-produção portuguesa (com direcção de fotografia de Rui Poças) foi considerada o melhor filme de 2017 por um conjunto de 135 programadores, críticos e cineastas de todo o mundo.

Pescados

Pescados é o filme de Martel com mais sentido de humor. A sonoplasta e música Juana Molina junta-se à realizadora para dar voz a um coro de carpas que sonharam ser um carro.

Muta

Muta foi uma encomenda da marca de moda Miu Miu: a bordo de um paquete estranhas figuras vestidas de alta costura vagueia, de rosto coberto pelos longos cabelos, como num filme de terror.

Nueva Argirópolis

Lucrecia Martel tece uma trama de narrativas fragmentárias que compõem um retrato coral da população ameríndia, do ecrã do computador à formação das ilhas no rio Bermejo, passando pela língua e pelos ofícios. Nueva Agirópolis é um misterioso caudal de movimentos, gestos e olhares que remete para a proposta de confederação sul-americana de Domingo Faustino Sarmiento, de 1850. Parte do projecto 25 Miradas – 200 minutos.

La Ciénaga

A estreia de Lucrecia Martel na longa entrou directamente na competição oficial do festival de Berlim, vencendo o prestigiado prémio Alfred Bauer. O filme foi apelidado por muitos críticos como “chekhoviano”, e de facto tudo gira em redor da exploração dos tempos mortos de uma certa burguesia decadente argentina. Aliás, o ambiente pantanoso (do título, da cidade e da piscina esverdeada) é sintomático do classismo ruinoso que separa a preguiça alcoolizada dos patrões das acusações de roubo contra os criados ameríndios. La Ciénaga levantava já várias questões sobre a interiorização do colonialismo que agora Zama responde.

Leguas (El aula vacía)

Para o projecto El aula vacía (organizado por Gael García Bernal), dedicado ao flagelo do abandono escolar na América Latina, Lucrecia Martel explorou, em Leguas, a questão da segregação das comunidades indígenas instituída pelas escolas.

La Niña Santa

É Inverno em La Cienaga. Depois dos ensaios do coro, as raparigas juntam-se na igreja local para discutir a fé e a vocação. Amalia e Josefina têm dezasseis anos. No meio das conversas, sussurram em segredo sobre beijos. Josefina é de uma família provinciana conservadora. Não muito longe da casa de Josefina fica o Hotel Termas, que pertence à família de Amalia e onde esta vive com a mãe, Helena, divorciada, e com o resto da família. Um encontro casual entre Amalia e o Dr. Jano, que está no hotel para assistir a uma conferência, faz com que a rapariga encontre finalmente a sua verdadeira vocação ‚ salvar um homem do pecado. O Dr. Jano vai ser apanhado numa teia de boas intenções. O mundo respeitável do médico de província está à beira do colapso.

Rey Muerto

Num vilarejo do Norte chamado Rey Muerto, uma mulher escapa com os seus filhos da violência do marido.