Grass

Desde a última vez que o IndieLisboa exibiu um filme de Hong Sang-soo (Nugu-ui ttal-do anin Haewon, em 2014), o realizador sul coreano tornou-se muito popular. As suas comédias tristes, embebidas em soju,descobriram o público internacional e a sua prolífica produção (quatro longas no último ano) ajudaram essa visibilidade. Grass é uma comédia de enganos à mesa de um café de Seul: os casais fazem-se e refazem-se ao ritmo do olhar da protagonista – interpretada pela musa do realizador, Kim Min-hee – que sentada a um canto observa o que se vai passando. Uma deliciosa farsa sobre os caminhos tortuosos do amor.

Nugu-ui ttal-do anin Haewon

A caminho de se encontrar com a mãe com quem combinou almoçar, Haewon, estudante de cinema e aspirante a actriz, cruza-se nas ruas de Seul com a actriz/cantora Jane Birkin e pede-lhe um autógrafo. Birkin diz-lhe que ela se parece muito com a filha, Charlotte Gainsbourg, o que muito lhe agrada. Esta é apenas uma das muitas excentricidades deste filme de Hong Sang-soo, conhecido por retratrar a natureza humana nas suas relações quotidianas, nos seus encontros de rua, à mesa, em lugares distantes, misturando no processo o sonho e a realidade. Em Nobody’s Daughter Haewon, a protagonista, Haewon, fica a saber que a mãe se prepara para ir viver no Canadá, o que a deixa num estado de angústia e solidão que a leva a contactar Sung-Joon, o professor com quem recentemente terminou uma relação mantida em segredo. O encontro só acrescenta à depressão e à dúvida; à vontade de ceder aos desejos e à vontade de fugir. Como sempre acontece nos filmes de Hong Sang-soo, também aqui as personagens se sentem inseguras dos seus desejos, sem que isso desencadeie qualquer catarse já que, no final, esses momentos parecem dissolver-se na sua própria insignificância.