En attendant les barbares

O norte-americano naturalizado francês Eugène Green desenvolveu num atelier com actores En attendant les barbares, uma sátira de fino humor sobre os dias de hoje. As redes sociais anunciam a chegada dos bárbaros e o único sítio seguro é uma mansão medieval onde os telemóveis ficam à porta. Green (que venceu o Grande Prémio do IndieLisboa, em 2004, com Le monde vivant) mantém-se fiel ao estilo que o caracteriza: diálogos em tom declamatório dirigidos à câmara, trabalho de composição milimétrico e um gosto erudito pelas outras artes. Um filme que depura o cinema até aos seus primórdios.

Le fils de Joseph

Vincent tem quinze anos e vive com a sua mãe, que lhe diz que este não tem pai. Mas Vincent não acredita. Não pode acreditar. Por isso, inicia uma investigação por sua conta. O norte-americano naturalizado francês Eugène Green filma esta comédia contemporânea baseada numa muito particular releitura de motivos bíblicos. Green mantém-se aqui fiel ao estilo que o caracteriza: diálogos em tom declamatório dirigidos à câmara, trabalho de composição milimétrico e um gosto erudito pelas outras artes (música clássica, pintura e fotografia).

La Sapienza

Eugène Green e a cultura portuguesa desenvolveram uma relação mútua que serve de inspiração para o realizador francês. Para além de “A Religiosa Portuguesa” (2010), estreado e produzido por O Som e a Fúria, o IndieLisboa tem sido uma via privilegiada para conhecer a sua obra (“Le monde vivant”, 2004; “Le pont des arts”, 2005; “Les signes”, 2007). “La Sapienza” não é apenas uma viagem à herança artística e arquitectónica barroca italiana – é uma reflexão sobre a importância da sapiência para a reconciliação humana em contexto de conflito e para a sua elevação num tempo de crise. Ou como o amor e a sua luz servem de salvação para a humanidade.

A Religiosa Portuguesa

Julie de Hauranne, uma jovem actriz francesa que fala a língua da sua mãe, o português, mas que nunca esteve em Lisboa, chega pela primeira vez a esta cidade, onde vai rodar um filme baseado nas Lettres portugaises de Guilleragues. Depressa se deixa fascinar por uma freira que vai rezar, todas as noites, para a capela da Nossa Senhora do Monte, na colina da Graça. No curso da sua estadia, a jovem trava uma série de conhecimentos, que, à imagem da sua existência anterior, parecem efémeros e inconsequentes. Mas, após uma noite em que, finalmente, fala com a freira, consegue entrever o sentido da vida e do seu destino.

Le Monde Vivant

Um ogre tem uma mulher que lhe faz as refeições mas é vegetariana; ele quer repudiá-la para poder casar com uma aristocrata que mantém prisioneira numa capela‚Ķ

Le Pont des Arts

Dois jovens, Paris, 1980. Sarah é uma cantora lírica barroca e Pascal é um estudante de literatura. Pascal vive num estúdio na Rue Saint-Jacques, visitado cons-tantemente pela sua namorada, Christine, e está, teoricamente, a trabalhar na sua tese de mestrado. Sarah canta num ensemble barroco sob a direcção de um maestro de origem anglo-saxónica que ela chama de O Inominável e vive num apartamento com o seu namorado, Manuel, um programador de computadores. Pascal e Sarah não se conhecem, mas têm duas coisas em comum: ambos vivem com pessoas que os amam, embora não os percebam verdadeiramente, e os dois são profundamente melancólicos. O encontro dos dois acaba por se dar na essência do barroco, tal como Sarah o tinha definido antes: É como ser duas pessoas ao mesmo tempo, e uma delas está viva porque a outra está morta. Ouvindo a comovente voz de Sarah em o Lamento della Ninfa de Monteverdi, a Pont des Arts estende-se sobre o rio Sena, construída pelos homens para preencher um vazio na cidade, e reunir, num único local, a morte e a vida.

Les Signes

Um barco desapareceu há dez anos, mas não tendo sido descoberto qualquer rasto de naufrágio, ou os corpos, os três membros de uma família continuam à espera do regresso de um dos homens desaparecidos. Todas as noites, como sinal, a Mãe acende uma vela à janela.