Seus Ossos e Seus Olhos

Em 2013, com “O Que se Move”, Caetano Gotardo emocionou uma plateia inteira e quase venceu o prémio do público e o ano passado, com a curta “Merencória”, os casais separavam-se e reuniam-se no entrelaçar de uma balada triste. Agora, com “Seus Ossos e Seus Olhos”, o realizador (e também argumentista, montador e protagonista) lança-nos mais uma vez no baile dos sentimentos, por entre lençóis suados, conversas de sofá, confissões e passeios pela rua. Na tradição de Rohmer ou Sang-soo, mas numa perspectiva queer, este é um filme que nos toca, com a mão aberta, o peito despido.

 

Merencória

Caetano Gotardo (realizador da longa O Que se Move, IndieLisboa 2013) repete a estrutura tripartida em Merencória: os casais separam-se e reúnem-se no entrelaçar de uma balada triste.

O Que Se Move

Três histórias sem aparente ligação entre si, apenas com um ponto comum: uma profunda observação dramática associada à maternidade. Tentar encaixar O que se move numa gaveta cinematográfica é deixar escapar um filme que não tem medo de não se encaixar num território formal. Caetano Gotardo foi temerário e saltou todas as fronteiras para explorar os territórios que o interessavam. Nesta quase tragédia grega em III actos, a monstruosidade de cada uma das acções é totalmente subjugada ao amor maternal e moldada pelo romantismo. A crueldade está, sim, nos gestos quotidianos, no regresso à banalidade depois de um acontecimento que destrói todas as fundações. (M.M.)