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JÚLIO BRESSANE

JÚLIO BRESSANE

 

Este ano, o Herói Independente do IndieLisboa é o realizador brasileiro Júlio Bressane. Num programa realizado em parceria com a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, o cineasta será homenageado com a exibição de 17 filmes da sua filmografia. Júlio Bressane virá a Lisboa acompanhar esta retrospectiva da sua obra, trazendo consigo a actriz Alessandra Negrini, protagonista dos seus filmes mais recentes. Apesar de pouco conhecida em Portugal, a cinematografia de Júlio Bressane é fundamental na história do cinema brasileiro. Representante do movimento conhecido como Cinema Marginal, começou por trabalhar como assistente de realização de Walter Lima Júnior, em 1965.

Em 1970 associou-se ao cineasta Rogério Sganzerla e juntos criaram a Belair Filmes, cujo objectivo era a produção rápida (raramente ultrapassando os 20 dias) com baixos orçamentos. Em apenas três meses, a Belair produziu seis longas metragens e um filme em super-8! Segundo o historiador de cinema brasileiro Fernão Pessoa Santos, “são obras marcadas por uma liberdade criativa nova, onde o clima de desespero e a agonia existencial predominam. A atracção pelo abjecto (sangue, vómito, lixo e outro tipo de substâncias escatológicas) é recorrente”.

Em 1970, depois do seu filme Matou a Família e foi ao Cinema ter sido retirado dos cinemas pela censura brasileira, Bressane exila-se em Londres, onde permaneceu durante três anos. Nesta altura, o tom exasperado dos seus filmes intensifica-se, com grande profusão de gritos e agressões. Ainda segundo Fernão Pessoa Santos, “o seu cinema é um jogo lúdico entre luz e enquadramento, marcado por um estilo de produção rápido e aberto à improvisação, mas extremamente rigoroso nos resultados”.

Até ao momento, Júlio Bressane assinou a realização de 29 filmes. A mostra do seu trabalho no IndieLisboa’11, que conta com o apoio fundamental da Embaixada do Brasil, será uma das mais completas de sempre, com 17 títulos em exibição.
 

Retrospectiva Júlio Bressane


"A Família do Barulho" (1970)
"Agonia" (1978)
"O Anjo Nasceu" (1967)
"Cinema Inocente" (1979)
"Cleópatra" (2007)
"Dias de Nietzsche em Turim" (2001)
"A Erva do Rato" (2008)
"Filme de Amor" (2003)
"O Gigante da América" (1978)
"O Mandarim" (1995)
"Matou a Família e Foi ao Cinema" (1969)
"Memórias de um Estrangulador de Loiras" (1971)
"Miramar" (1997)
"O Monstro Caraíba – Nova História Antiga do Brasil" (1973)
"Quem seria o feliz conviva de Isadora Duncan?" (1990)
"São Jerônimo" (1999)
"Sermões – A História de Antônio Vieira" (1989)

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