Foco Silvestre

Jonathan Vinel e Caroline Poggi em foco

Desde a sua estreia em 2014 com Tant qu’il nous reste des fusils à pompe (urso de ouro no Festival de Berlim desse ano) que a dupla de realizadores franceses Jonathan Vinel e Caroline Poggi, nunca mais parou de filmar compulsivamente e tem sido aclamada, tanto pela crítica como pelo público. As suas curtas seguintes, tanto em dupla como individualmente, Notre Heritage, Martin Pleure e After School Knife Fight, fizeram um circuito brilhante de festivais de cinema, onde chamaram a atenção pela sua originalidade, irreverência, talento e contemporaneidade. A sua longa de estreia Jessica Forever que será um dos títulos da Competição Internacional do IndieLisboa 2019, estreou no Festival de Toronto e desde aí confirmou-se o que já se sabia. São os artistas do momento e é nesse sentido que o IndieLisboa decidiu que o Foco Silvestre 2019 deveria ser sobre o seu trabalho. A retrospectiva é integral (filmes feito em dupla e individualmente) e haverá uma gaming performance que será o momento mais alto deste foco.

A secção Silvestre é um panorama do cinema livre, num tempo em que cada vez faz menos sentido falar de documentário ou ficção como territórios fechados, em que o cinema pode decidir expandir-se ou manter-se fiel às linguagens tradicionais que estiveram na sua origem. Silvestre é uma secção competitiva com júri próprio, que se desenha nesta liberdade com uma programação de curtas e longas metragens que mostra um intenso ano de produção.

Além do foco da secção, conheça também outros destaques para esta 16.ª edição do festival, como a nova longa metragem do realizador Radu Jude, duplamente premiado em edições anteriores do IndieLisboa, I Do Not Care If We Go Down in History as Barbarians, uma ficção que questiona a presença do fascismo na Roménia contemporânea a partir de uma reconstituição de um episódio histórico.

Burning, o mais recente filme de Lee Chang Dong, exibido em competição no último festival de Cannes e que foi considerado pela imprensa especializada como um dos filmes mais importantes do ano de 2018, será mostrado no festival antes de estrear nas salas portuguesas pela mão da Alambique Filmes. Em Coincoin et les Z’inhumains, o premiado Bruno Dumont regressa às personagens da aclamadíssima série (e filme) P’tit Quinquin para uma nova irresistível temporada de quatro episódios para ver no festival em versão binge watching. Por fim, Blue, de Apitchatpong Weerasethakul, parte de uma encomenda da Opéra national de Paris para fazer um filme que não é de todo uma dança, mas uma reflexão sobre um espaço inventado, um corpo amaldiçoado e com insónias, uma experiência visual e sonora assaz precisa.