Herói Independente

Anna Karina

Anna Karina marca presença em Lisboa em Maio para acompanhar a retrospectiva co-organizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e pelo IndieLisboa, que a elege como um dos Heróis Independentes da sua edição de 2019. Relevando a sua filmografia no contexto da Nouvelle Vague francesa e para lá dela, a retrospetiva decorrerá integralmente na Cinemateca entre os dias 2 e 11 de maio, com a presença da atriz, que vem apresentar alguns dos seus filmes e para um encontro especial com o público.

Nascida em Copenhaga em 1940, Hanna Karin Barke Bayer, chegou a Paris aos 17 anos, onde foi batizada Anna Karina por Coco Chanel. Revelar-se-ia uma das mais icónicas actrizes do cinema contemporâneo nos anos 60 franceses, dirigida por Jean-Luc Godard numa série de importantes filmes dessa década, em que foi sua companheira de trabalho e de vida. Também argumentista e realizadora, cantora e escritora, Anna Karina é uma das grandes estrelas do cinema europeu.

A Cinemateca e o IndieLisboa conceberam uma retrospetiva ambiciosa que propõe dar a ver a intensidade variada do seu trabalho: a totalidade dos seus filmes com Godard, os filmes com Valerio Zurlini, Jacques Rivette, Luchino Visconti, George Cukor, Volker Schlöndorff, Rainer Werner Fassbinder e, entre os títulos mais raros, a primeira longa-metragem que escreveu, realizou e protagonizou em 1973 (Vivre ensemble) e o igualmente inédito em Portugal, Anna, de Pierre Koralnik a partir da música e canções de Serge Gainsbourg. Associado à secção “Director’s Cut” do festival, numa outra ramificação da colaboração entre a Cinemateca e o IndieLisboa, será apresentado o recente documentário de Dennis Berry em que Anna Karina comenta o seu percurso (Anna Karina souviens-toi, 2017).

RETROSPETIVA ANNA KARINA
Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema e IndieLisboa, 2-11 de maio 2019

CURTAS-METRAGENS previstas para exibição

Pigen og skoene / A Rapariga dos Sapatos, Ib Schmedes, 1959 (11’)
Présentation ou Charlotte et son steak, Éric Rohmer, 1961 (12’) (voz)
Les Fiancés du pont Mac Donald (ou Méfiez-vous des lunettes noires), Agnès Varda, 1961 (5´)
Antecipation, ou: L’Amour en l’an 2000, Jean-Luc Godard, 1967 (20’)

LONGAS-METRAGENS previstas para exibição

Le Petit Soldat / O Soldado das Sombras, Jean-Luc Godard, 1960 (88’)
Une Femme est une femme / Uma Mulher É uma Mulher, Jean-Luc Godard, 1961 (85’)
Vivre sa Vie / Viver a sua Vida, Jean-Luc Godard, 1962 (83’)
Bande à Part, Jean-Luc Godard, 1964 (95’)
Alphaville, Jean-Luc Godard, 1965 (99’)
Le Soldatesse, Valerio Zurlini, 1965 (120’)
Pierrot le fou, Jean-Luc Godard, 1965 (110’)
La Religieuse / A Religiosa, Jacques Rivette, 1966 (140’)
Made In U.S.A., Jean-Luc Godard, 1966 (90’)
Anna, Pierre Koralnik, 1967 (87’)
Lo Straniero / O Estrangeiro, Luchino Visconti, 1967 (104’)
Justine, George Cukor, 1969 (116’)
Michael Kohlhaas, Der Rebell / Michael Kohlhaas, O Rebelde, Volker Schlöndorff, 1969 (99’)
Vivre Ensemble, Anna Karina, 1973 (92’)
Chinesisches Roulette, Rainer Werner Fassbinder, 1969 (86’)
Treasure Island / A Ilha do Tesouro, Raoul Ruiz, 1985 (115’)
Haut Bas Fragile / Alto, Baixo, Frágil, Jacques Rivette, 1995 (170’)
Anna Karina, souviens-toiDennis Berry, 2017 (55’)

Vale a pena relembrar que pode tirar maior proveito desta retrospectiva se tiver uma acreditação para o festival. Já podem ser feitos pedidos por estudantes e profissionais, com valores promocionais até 31 de Março! Veja aqui como garantir a sua.

Brasil em Transe

No rescaldo do carnaval, da vitória da Mangueira com a face de Marielle e do #goldenshowerbolsonaro, todo o Brasil treme entre forças tectónicas opostas: apressemo-nos a ajudar a lançar um foco sobre as trevas do oportunismo. Todo o cinema é político, ora veja-se a programação deste Herói Independente do IndieLisboa 2019, o cinema amado vindo do Brasil.

Há 25 anos o cinema brasileiro vivia a sua retomada. O ano de 1994 marcava o regresso à produção nacional, depois do período de interregno em que Collor de Mello dissipara todos os apoios e incentivos à criação cinematográfica. Em 2019 o país e o seu cinema vivem de novo tempos turbulentos, uma conjuntura que escolhemos não ignorar.

Depois dos filmes brasileiros terem arrecadado os principais prémios do IndieLisboa em 2018, é tempo de celebrar a criatividade, de apoiar uma comunidade que vive um período particularmente auspicioso. Neste programa mostraremos filmes muito recentes e inéditos em Portugal, espelhando uma produção audaciosa e politicamente desperta. Seremos (também) a voz e o espaço deste cinema, contribuiremos activamente para a sua continuidade.

Uma carta de amor do IndieLisboa ao último ano em filmes brasileiros, este programa reflecte a proximidade entre o festival e um cinema atento, revelador, destemido, original, que tem estado no radar IndieLisboa desde a primeira edição. É tempo de homenagear esta longa relação num período em que o mundo pede que estejamos atentos, que façamos a nossa parte.

Juntamente com as longas metragens apresentadas, poderá ser visto mais um conjunto de curtas metragens recentes, que revelaremos em breve. O programa terá também ecos nas secções Competição Internacional, Competição Nacional, Silvestre e Boca do Inferno, numa selecção que será revelada integralmente no dia 2 de Abril. Os convidados do programa estarão em Lisboa para uma conversa sobre o presente e o futuro do cinema brasileiro (e do Brasil) durante o festival.

Programa (em construção):

A Noite Amarela, Ramon Porto Mota
A Rosa Azul de Novalis, Gustavo Vinagre, Rodrigo Carneiro
Divino Amor, Gabriel Mascaro
Domingo, Clara Linhart, Fellipe Barbosa
Fabiana, Brunna Laboissière
No Coração do Mundo, Gabriel Martins, Maurilio Martins
Os Jovens Baumann, Bruna Carvalho Almeida
Querência, Helvécio Marins Jr
Seus Ossos e Seus Olhos, Caetano Gotardo
Temporada, André Novais Oliveira