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Serviço Educativo – Cineclube IndieLisboa

O Cineclube IndieLisboa aposta na formação de novos públicos organizando ao longo do ano lectivo várias sessões destinadas aos alunos do ensino secundário e superior. Estas sessões decorrem nas escolas de Lisboa e da Grande Lisboa com as quais o IndieLisboa estabeleceu um protocolo de colaboração. Todas as sessões são apresentadas e acompanhadas pelo realizador ou por um elemento da equipa artística ou técnica do filme ou ainda um crítico ou historiador de cinema. No final de cada sessão promove-se um debate à volta do filme realçando a importância e a pertinência artística, social e filosófica do filme apresentado.

A presença dos realizadores no final do filme, juntamente com um dos programadores do festival, é essencial para ajudar a criar um espaço de aprendizagem e crescimento. As sessões do Cineclube IndieLisboa pretendem desenvolver o potencial do cinema como ferramenta educativa valorizando igualmente a sua linguagem artística.

Durante o período do festival os alunos e estudantes destas escolas e faculdades irão frequentar as salas onde decorre o festival, para descobrirem os filmes programados especificamente para estes grupos de alunos e estudantes.

Para mais informações sobre o Cineclube IndieLisboa: cineclube@indielisboa.com

Programação

Segunda-feira, dia 8 de Maio – 10h30 – Culturgest, Pequeno Auditório – 71′

Le Parc/ The Park, Damien Manivel, fic., 71′
É Verão. Dois adolescentes encontram-se num parque relvado. Ele interessa-se por Sigmund Freud e ela era ginasta, até partir os dois os pulsos. Conversam sobre coisas banais, vagueiam à sombra das árvores e apaixonam-se suavemente. Mas o pôr-do-sol marca a hora da despedida. Le parc é uma obra de baixo orçamento, onde o cinema está reduzido ao essencial: uma fábula cativante que caminha para o sinistro e o surreal. A segunda longa metragem de Damien Manivel (ex-artista de circo) tem sido comparada a Sud sanaeha [Blissfully Yours], de Apichatpong Weerasethakul.

the park

Segunda-feira, dia 8 de Maio – 14h30 – Cinema São Jorge, Sala 3 – 82′

Foco Katja Pratschke e Gusztáv Hamos
Fremdkörper / Transposed Bodies,
Katja Pratschke, Gusztáv Hamos, Alemanha, fic., 2002, 27’
Cities (Verborgene Städte) / Cities (Hidden Cities), Katja Pratschke, Gusztáv Hamos, Alemanha, doc., 2012, 27’
Seil / Rope, Katja Pratschke, Gusztáv Hamos, Alemanha, fic., 2016, 28’

A dupla Katja Pratschke e Gusztáv Hámos apresenta, nesta sessão, alguns dos seus fotofilmes mais característicos. Fremdkörper [Transposed Bodies] adapta o romance de Thomas Mann Die vertauschten Köpfe [The Transposed Heads], em que dois amigos perdem (literalmente) a cabeça por uma rapariga: uma reflexão sobre genética e identidade. Em Cities (Verborgene Städte) [Hidden Cities], exploram a percepção urbana das pessoas, o que é “a cidade” enquanto sistema orgânico, ser vivo que pode ser saudável ou doente. Já Seil é uma “reconstrução” fotográfica do famoso conto de Ambrose Bierce An Occurrence at Owl Creek Bridge: um homem, à beira de uma ponte, uma corda ao pescoço, prestes a ser enforcado e um amor maior do que a vida (e a morte).

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Terça-feira, dia 9 de Maio – 11h00 – Culturgest, Pequeno Auditório – 90′

Competição Internacional Curtas CIC 1

Fraktur, Gilles Ribero, doc., 2016, 18’
Der Wohlwollende Diktator / The Benevolent Dictator, Bernhard Braunstein, Martin Hasenöhrl, Albert Lichtblau, Áustria/França, doc., 2016, 35’
Sur La Route / On The Road Annabelle Amoros, França, doc./exp./fic., 2016, 17’
Oliara / The Off Season, Yelzat Eskendir, Cazaquistão, fic., 2016, 20’

Um maestro conduz uma orquestra invisível, esta silencia-se e, depois, já nem maestro temos: em Fraktur, o cinema e a música despem-se à nossa frente. As contradições de um homem tornam-se visíveis, em Der wohlwollende Diktator [The Benevolent Dictactor]: outrora, uma criança judia, na Alemanha nazi; hoje, um neo-colonialista reformado, no Malawi. Depois, Annabelle Amoros (La Maison des Lilas, IndieLisboa 2016) filma a – agora infame – cidade de Calais, não só expondo a sua banalidade, mas também revelando a omnipresença securitária. Por fim, na estepe do Cazaquistão, Oliara [The Off-Season] retrata a instabilidade do triângulo familiar: um filme de deslumbrante fotografia e composições alegóricas.

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Quarta-feira, dia 10 de Maio – 14H30 – Cinema São Jorge, Sala 3 – 100′

Circo, André Ruivo, Portugal, anim. 2017, 10’
Com um tom irónico e nonsense e recorrendo a curtos gags humorísticos este filme procura evidenciar clichés e o lado mais insólito da ideia de circo.

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Mister Universo, Tizza Covi, Rainer Frimmel, Áustria/Itália, fic., 2016, 90’
Não há condições para Tairo, um domador de feras, continuar a trabalhar. Um dos leões adoeceu, outro está já velho e cansado, o macho alfa anda agressivo por causa do cio e, como se já não bastasse, Tairo perde o seu amuleto da sorte – uma barra de ferro dobrada em forma de ferradura. Inicia, então, uma viagem pelo mundo do espectáculo, em busca do “homem mais forte do mundo”, Mister Universo, que lhe havia dado o talismã quando Tairo era ainda criança. Este delicioso road movie circense é um filme que renova a nossa capacidade de nos maravilharmos com o mundo.

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Quinta-feira, dia 11 de Maio – 11h00 – Culturgest, Pequeno Auditório – 71′

Luz Obscura, Susana de Sousa Dias, Portugal, doc., 2017, 75’
Susana Sousa Dias prossegue o seu trabalho de revisitação dos arquivos do Estado Novo. Luz Obscura regressa às fotografias tiradas pela PIDE aos presos políticos, dando especial atenção àquelas onde surgem menores (incluindo bebés de colo). Ouvimos testemunhos de familiares de comunistas assassinados, explicando como se viram arrastados para processos de humilhação – crianças tratadas como prisioneiros, sendo que muitas delas nunca mais viram os pais. Um filme que restitui as genealogias amputadas pela ditadura, a mesma que se dizia defensora suprema da família.

luz obscura

Sexta-feira, dia 12 de Maio – 11H – CULTURGEST Pequeno Auditório – 85′

Tudo o que imagino, Leonor Noivo, Portugal, fic., 2017, 30’
Fim da adolescência, fim da escola, o último verão antes do mundo do trabalho para um grupo de amigos no bairro de Alcoitão, ‘’BDA’’. Sem adultos por perto, há a ilusão que se pode fazer o que se quer. André improvisa o rap como improvisa a vida, na procura de um caminho que o deixe mais livre, mas nunca conseguirá sair de si próprio.

tudo o que imagino

Beatbox, Boom Bap Around the World, Pascal Tessaud, França, doc., 2015, 55’
Beatbox, boom bap autour du monde traça um retrato do beatbox, desde as suas bases musicais na África tribal até ao seu surgimento no hip-hop nova-iorquino dos anos 1980. Percorrendo as manifestações actuais desta sub-cultura fervilhante, o filme leva-nos a conhecer tanto as lendas (Sly Johnson, Doug E. Fresh, Kenny Muhammad, Rahzel ou Babeli) como as jovens promessas francesas (BMG, Flashbox e Alem, sendo que este último acabaria por se consagrar, em 2015, campeão mundial de beatbox).

Beatbox - Under Kontrol c Temps noir